- Miguel Guedes de Sousa lidera o grupo JNcQUOI, que integra gastronomia, moda e hotelaria em Lisboa.
- Empresário investe €700 milhões na Comporta para criar complexo de luxo até 2028.
- Comporta terá hotel, residências, beach club e espaços de bem-estar em projeto de alta densidade.
- Miguel defende turismo de qualidade e valor, priorizando autenticidade e experiência única.
- Grupo JNcQUOI busca expandir para Brasil com modelo integrado de luxo e exclusividade.
Há quase uma década, quando inaugurou o JNcQUOI Avenida, em Lisboa, o empresário português Miguel Guedes de Sousa afirma que a região ainda estava distante de ser o principal polo de luxo do país.
Hoje, à frente do grupo JNcQUOI, ele lidera um ecossistema que reúne gastronomia, moda, hotelaria e experiências exclusivas, além de comandar um dos maiores projetos de lifestyle da Europa.
“Nós fizemos o destino. Não foi o destino que nos fez.”
Com mais de 20 anos de experiência na hotelaria internacional, incluindo 15 anos na Aman Resorts, Miguel prepara um investimento estimado em € 700 milhões na Comporta, litoral português. O empreendimento reunirá hotel, residências, beach club, restaurantes e espaços dedicados ao bem-estar.
Segundo o empresário, Portugal deve priorizar a qualidade do turismo em vez do volume de visitantes.
“Somos pequenos, não podemos ser uma commodity. Sempre defendi que Portugal é tão ou mais especial que a Itália, mas sem o departamento de marketing. Temos autenticidade, gastronomia, artesanato, talento e beleza. O que nos falta é confiança.”
Ecossistema de luxo
Ao lado da esposa, Paula Amorim, uma das principais empresárias de Portugal e presidente do conselho de administração da Galp, Miguel desenvolveu um modelo de negócios que integra diferentes segmentos do mercado de luxo.
Paula, filha do empresário Américo Amorim, também comanda a Amorim Luxury, grupo que reúne operações de moda, varejo, hotelaria, gastronomia e mercado imobiliário. Entre seus investimentos está a criação da Fashion Clinic, uma das principais multimarcas de luxo da Avenida da Liberdade, além do aporte que viabilizou o primeiro JNcQUOI.
“Ela vem da moda. Eu venho da hotelaria. O mundo perfeito para nós era integrar tudo aquilo de que gostávamos.”
Dessa união nasceu um conceito baseado em cinco pilares: Eat, Drink, Shop, Live e Belong. Atualmente, o grupo reúne nove restaurantes, oito lojas, um clube privado com cerca de dois mil membros e inaugura, em setembro, o boutique hotel JNcQUOI House.
Instalado na Avenida da Liberdade, o hotel contará com apenas 16 quartos e funcionará integrado ao restante do ecossistema da marca. Os hóspedes terão acesso ao clube privado e aos demais espaços exclusivos.
“Small is powerful. Porque somos menores, temos mais flexibilidade. Somos mais ágeis.”
Projeto de € 700 milhões
O principal investimento do grupo está concentrado na Comporta, onde será construído o JNcQUOI Club Comporta. Miguel afirma que o empreendimento representa seu maior projeto pessoal.
“Sou o primeiro a fazer um grande investimento na região. É meu projeto de vida.”
O complexo ocupará cerca de 700 hectares e terá, até 2028, 34 pavilhões de hotel, 64 residências exclusivas, três clubes, spa e um beach club, que já funciona para associados.
Segundo o empresário, o conceito vai além de um resort tradicional.
“As pessoas procuram pertencimento.”
Projetado pelo arquiteto belga Vincent Van Duysen, o empreendimento aposta em baixa densidade de ocupação, integração com a natureza e privacidade.
“Miami tornou-se um déjà vu.”
Para Miguel, o perfil do consumidor de alto padrão mudou nos últimos anos.
“O novo luxo é não precisar mostrar nada. Hoje, o mais importante não é o que está em cima da mesa, mas quem está à volta dela.”
Luxo sem excessos
Miguel afirma que aplica aos negócios a mesma filosofia adotada em sua vida pessoal. Adepto de um estilo discreto, ele desenha as próprias roupas, evita logomarcas e acredita que o luxo está nos detalhes.
“Sabe qual é o novo Patek [Philippe]? É não ter nada.”
Neto de um dos fundadores do histórico Ritz de Lisboa, atualmente administrado pela Four Seasons, ele iniciou sua formação em hotelaria na Suíça e construiu carreira em empreendimentos de alto padrão na Ásia, África e Oriente Médio.
Durante sua passagem pela rede Aman Resorts, trabalhou ao lado do fundador Adrian Zecha, a quem considera seu principal mentor.
“Aprendi que o verdadeiro luxo é fazer tudo parecer simples. O que as pessoas verdadeiramente querem é serem reconhecidas e bem tratadas.”
Turismo de alto valor
Na avaliação do empresário, Portugal precisa investir em infraestrutura e qualificação para consolidar sua posição entre os principais destinos de luxo do mundo.
“Detesto commodities. Hoje temos cerca de 95% de turismo de massa. Eu preferia menos visitantes e mais turismo de alto valor. O nosso objetivo não é ter mais turistas. É ter o turista certo.”
Brasil está nos planos
Miguel também destaca a importância dos brasileiros para o crescimento do grupo JNcQUOI e afirma que o país está no radar para uma futura expansão.
“O brasileiro gosta de Portugal e Portugal gosta muito do brasileiro. Temos uma relação muito especial.”
Segundo ele, caso o grupo desembarque no Brasil, pretende reproduzir o conceito completo da marca, reunindo hotel, restaurantes, clube privado, lojas e residências.
No entanto, faz uma condição.
“O Brasil é para brasileiros. Eu posso trazer o meu know-how, mas o investimento tem que ser todo brasileiro.”
Ao falar sobre seus objetivos, Miguel afirma que o legado é mais importante do que os resultados financeiros.
“Eu não faço isso por dinheiro. Faço pelo legado.”