- Crime organizado no Brasil mantém forte conexão com organizações internacionais.
- Armas clandestinas utilizadas pelo crime são adquiridas via contrabando internacional e fabricação própria em oficinas domésticas.
- Estados Unidos são a principal fonte de armamento pesado para o crime organizado no Brasil, com 80% das armas ilegais provenientes do país.
- Facções criminosas montam fuzis em oficinas clandestinas instaladas em São Paulo e Rio de Janeiro, utilizando peças compradas ilegalmente nos EUA.
O debate que vem sendo travado neste momento brasileiro em torno da atuação e combate às poderosas organizações criminosas, com evidência sobre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), com matriz em São Paulo e no Rio de Janeiro, respectivamente, está permitindo trazer à tona a realidade em torno do ingresso clandestino e o uso crescente de armas de fogo e munições pelos atores da criminalidade no Brasil.
Tudo está saindo dos arquivos, onde estava guardado e protegido de maior conhecimento por parte da população, e começa a ser escancarado para que se compreenda o grau de conexão que o crime organizado no país mantém de forma forte e estreita com organizações internacionais do crime.
Bastou o governo Trump revelar mais uma vez o seu intervencionismo desmedido em questões que não dizem respeito aos norte-americanos- anunciando que PCC e CV seriam classificados como organizações terroristas-, para que os anais passados e recentes das operações policiais realizados por governantes locais contra facções criminosas, surgissem para clarear essa grave questão.
E é assim que esses dados armazenados mostram sem rodeios que as armas clandestinas que abastecem o crime organizado no Brasil circulam graças a um complexo arranjo logístico que combina contrabando internacional, desvios de armas e fabricação própria de fuzis em oficinas domésticas. É isso que garante a facções como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital que mantenham alto poder de fogo, utilizando calibres de alto poder destrutivo.
No que diz respeito às armas de grande poder letal ( fuzis, metralhadoras e pistolas de grosso calibre) que a polícia tem interceptado nas mãos de agentes do crime nas suas diversas e frequentes operações, há uma terrível constatação: os Estados Unidos tornam-se a principal fonte de armamento pesado para o crime organizado no Brasil. PCC e PV, que Trump deseja combater, têm hoje o poder que têm, graças a essa conexão logística que mantém nos EUA.
Isso se torna possível porque, além do notório interesse norte-americano em ter lucro monetário com a venda de armas e munições, as facções brasileiras utilizam-se de legislação premissa americana para adquirir fuzis e submetralhadoras, que compradas lá, ingressam clandestinamente no Brasil, quase sempre desmontadas, com peças separadas, para que sob a posse desses comandos do crime sejam montadas e colocadas em uso. Nesse particular, os bandidos também se beneficiam do afrouxamento da legislação brasileira quanto à comercialização de armas e munições no exterior, porque sob Temer e Bolsonaro passou a ser permitida a compra de fuzis, pistolas e submetralhadoras que antes só eram permitidos às Forças Armadas.
As rotas para chegar ao Brasil muitas vezes cruzam países vizinhos, como Paraguai, ou ingressam através de grandes portos e aeroportos, através de esquemas que frequentemente envolvem corrupção nas agências de controle de armas. Os Estados Unidos são a principal origem estrangeira dos fuzis de guerra e componetes bélicos que entram ilegalmente no Brasil. Fuzis que são capazes de destruir um carro forte e derrubar aviões no ar.
Dados da Polícia Federal e de Inteligência de setores de segurança indicam que cerca de 80% de todas as armas estrangeiras que ingressaram no Brasil de maneira ilegal têm origem no território norte-americano.
O balanço mais recente aponta que traficantes do Alemão e da Penha (no Rio de Janeiro), onde em 2025 foram apreendidos 93 fuzis de um total de 120 armas, teriam pelo menos 1 mil fuzis de carga potente em seu poder. Todos norte-amercianos.
Além das armas trazidas dos Estados Unidos e outros países e que aqui chegam clandestinamente às mão da criminalidade, as facções criminosas, especialmente as duas mais poderosas, valem-se de oficinas clandestinas instaladas em Estados estratégicos, tendo São Paulo e Rio de Janeiro como centro de operações, mas com presença expressiva hoje também em Minas Gerais e Bahia. Essas fábricas de armas são situadas em polos estrategicamente próximos e têm a vantagem de oferecer as armas que eles montem a preços menores e em tempo mais curto do que levaria a compra direta do exterior.
E mais uma vez as autoridades policiais vêm a presença dos Estados Unidos, também aqui nas fábricas clandestinas. Isso porque peças avulsas de plataformas como do AR-15 são compradas ilegalmente nos Estados Unidos por valores muito abaixo do preço (cerca de 1 mil dólares) e mandadas para o Brasil via encomendas postais, contêineres e transporte marinho.
Depois de montados localmente nas fábricas clandestinas, esses fuzis chegam ao mercado operacional do crime por valores que ultrapassam R$ 50 mil.