O Senado brasileiro acaba de sacramentar o aval do Brasil ao Acordo do Mercosul com a União Europeia, somando-se à Argentina e ao Uruguai, cujos parlamentos já haviam validado essa que é a maior parceria de livre comércio do mundo.
A aprovação entre os senadores brasileiros se deu de forma unânime, em votação simbólica, graças ao entendimento de lideranças. O aval já havia sido concedido pela Câmara dos Deputados, e agora, com a aprovação, passando pela última instância, vai à sanção do Presidente da República.
Com esse gesto do Senado, encerra-se uma negociação que ultrapassava a barreira dos 25 anos, e que foi formalmente assinada pelos governantes dos países integrantes dos dois blocos em 17 de janeiro deste ano de 2026, ficando a sua vigência na dependência da validação por parte das casas legislativas dos países latinos e também do Parlamento Europeu.
Essa ideia de acordo, que começou a ser formulada em 1999, tem o objetivo de eliminar as tarifas sobre grande parte do comércio bilateral e estabelecer uma das maiores zonas de livre comércio do universo.
E ganha ainda maior importância a sua aprovação neste momento, de delicada e preocupante etapa das relações multilaterais, em que a humanidade se defronta com infinitas incertezas no campo econômico, em razão da guerra que domina o Oriente Médio.
Um conflito instalado por iniciativa dos Estados Unidos e Israel, que, ao atacarem o Irã e matarem o líder islâmico Aiatolá Khamenei no último dia 28 de fevereiro, desencadearam um conflito expandido, que não se sabe quando e de que forma acabará.
E que só traz uma certeza - além das centenas e centenas de mortes humanas que já está produzindo - a de que a maioria das nações, mesmo aquelas que não têm envolvimento direto com a guerra, sofrerá danos irreparáveis às suas economias e ao bem-estar das suas populações.
Com o aval aprovado no Senado, parlamentares e governo começam agora a pensar em criar mecanismos de salvaguarda para a proteção de produtores rurais do Brasil, o que, aliás, os membros do bloco europeu já vêm fazendo para garantir que ruralistas de seus países não sofram prejuízos com a entrada livre de produtos concorrentes que passarão a chegar. A propósito, foi na narrativa dessa proteção de ruralistas da França que o presidente Emmanuel Macron foi um dos poucos votos contrários ao Acordo Mercosul/União Europeia.
Do lado do Brasil, esses mecanismos de proteção aos agropecuaristas locais devem sair na forma de decreto editado pelo Governo Lula, e disso o Vice-Presidente Geraldo Alckmin, que acumula as funções de ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, já vem se ocupando, negociando com os parlamentares e com lideranças do setor rural.
Essas salvaguardas servirão como uma espécie de freio, permitindo ao país elevar tarifas, limitar volumes importados, ou suspender preferências tarifárias para dar fôlego aos produtores do campo , na constatação de que estariam sendo prejudicados.
O Acordo com o Mercosul é enormemente favorável à América do Sul, muito especialmente ao Brasil, na medida em que ampliará o comércio livre com a Europa, palco de grandes consumidores de produtos da região. Significa inserir o Brasil num mercado que soma 718 milhões de pessoas e que tem um Produto Interno Bruto combinado que ultrapassa os 22 trilhões de dólares nesses dois blocos de nações que somam mais de 30 países.