Dois fatores tiveram influência fundamental para que o PIB do Brasil pudesse continuar crescendo em 2025, embora setores do mercado econômico esperassem um desempenho melhor do que os 2,3% alcançados.
Esse resultado menos expressivo se deve basicamente à política monetária restritiva imposta pelo Banco Central, com juros de 15% ao ano, numa incidência nefasta sobre o crédito, as atividades industriais e o consumo.
Mas se ocorreram fatores negativos para travar um avanço maior do Produto Interno Bruto, que colocou o Brasil na 11ª posição no mundo, há que ser celebrado o desempenho, mais uma vez, do agronegócio brasileiro, que apesar das adversidades externas, mostrou fôlego e vitalidade. Ano passado, o segmento da agropecuária registrou um crescimento de 11,7%, mantendo uma performance de histórica evolução.
Em valores correntes, o valor adicionado bruto do setor somou R$ 775,3 bilhões no período, o equivalente a aproximadamente 6,1% do PIB nacional. No acumulado do ano, o PIB brasileiro totalizou R$ 12,7 trilhões.
Por todas as avaliações, a agropecuária brasileira se consolida como um grande esteio da economia nacional. Mesmo diante de dificuldades pontuais, como preços de commodities achatados e o endividamento em alguns segmentos, a resiliência, a competência e a capacidade produtiva do setor têm sido determinantes para o crescimento do Brasil.
O outro aspecto significativo que manteve o PIB do país em crescimento, foram os investimentos públicos em infraestrutura e as parcerias público/privadas na implantação de grandes obras, que atingiram a marca dos R$ 280 bilhões, uma evolução de 7% em relação a tudo que foi investido em 2024.
Esses dados relativos ao agronegócio e aos investimentos públicos são muito importantes e representativos, pois se dão num contexto internacional de elevação do protecionismo de países - sobretudo impulsionados pelas atitudes de Donald Trump à frente dos Estados Unidos - num ambiente de ordem política que foi modificada literalmente a partir dos tarifaços e retaliações que o governante norte-americano impôs ao universo.
Na contramão do que acontece lá fora, em face dessas constatações, o Brasil, por suas atividades no campo e pela decisão governamental de abrir os cofres para obras estruturantes em transporte, em logística e em saneamento básico, inclusive dando impulso a um novo momento de construção de ferrovias, teve efeitos benéficos.
Os dados são atestados pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base(ABDIB).
Graças a isso, o país pode manter a economia em confortável desempenho.
Desde 2023, quando voltou à Presidência da República pela terceira vez, o Presidente Lula tem demonstrado grande interesse em fazer investimentos públicos relevantes em obras estruturantes, ciente de que essa medida tem capacidade de impulsionar negócios, elevar a capacidade de empresas e gerar desenvolvimento.
Em 2023, começou a recuperação de investimento público federal e a manutenção de altos níveis de investimento estrangeiro direto (IED), que vinham em queda desde os anos 2020.
Esse esforço fez o Governo Federal elevar em 81% o investimento nacional durante aquele ano. Isso trouxe R$ 68 bilhões de investimentos estrangeiros diretos.
Os investimentos estrangeiros diretos voltaram a crescer em 2024, com o Banco Central registrando um aumento de 13,8% em relação ao ano anterior, tornando o Brasil o segundo maior receptor de IED do mundo no primeiro trimestre de 2024.
Somente neste ano de 2026, nos 20 leilões para obras estruturantes no formato de Parcerias Público/Privadas (PPPS) que vai realizar, o Brasil espera somar um total de R$ 265 bilhões em investimentos.