- Pesquisas eleitorais trazem resultados duvidosos e imprecisos.
- Institutos de pesquisa colaboram com veículos de mídia para gerar manchetes.
- Resultados de pesquisas são antecipatórios e não refletem a realidade eleitoral.
- Candidatos como Zema e Caiado têm chances remotas de ir ao segundo turno.
Dúvidas, discordâncias, desconfianças, sempre foram elementos presentes na cabeça do eleitorado brasileiro quando o assunto é pesquisa eleitoral. Nunca houve, e provavelmente nunca haverá, consenso em torno dos resultados que essas consultas de opinão pública trazem ao nosso conhecimento. Isso é um histórico que se repete a cada pleito. Mas parece que o grau de grosseria aumenta.
Temos visto que o desempenho dos institutos de opinião pública, que têm apresentado uma pesquisa atrás da outra, ao indicarem a preferência do eleitorado para essas eleições de 2026, estão passando da conta ao publicarem seus resultados.
Nesse contexto, um fato tem chamado bastante minha atenção em quase todos os resultados publicados, por uma estranheza que considero adequada à lógica. Faz algum tempo que venho cismado com essa metodologia (se é isso mesmo que os institutos consideram) que as pesquisas estão insistentemente concluindo e publicando em relação ao Segundo Turno das eleições. Creio que não consigo compreender.
Pela primeira vez na história estamos vendo jornais e meios eletrônicos abrirem manchete para dizer que há um "empate técnico", ou até mesmo a "vantagem" de um candidato sobre outros no Segundo Turno, faltando seis meses para que essa etapa do pleito se realize. E vimos observando que os institutos estão retirando da cabeça do eleitor a sua preferência eleitoral por Zema, Caiado e Flávio Bolsonaro, todos empatando ou ficando à frente do candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva, na hipótese de o pleito não ser decidido no primeiro turno.
Embora Caiado e Zema não figurem além dos 5% de preferência no Primeiro Turno, as pesquisas, contudo, trazem que no segundo turno eles "crescem" de tal maneira que chegam a percentuais tão elevados que os fazem empatar com Lula e com o candidato da direita, Flávio Bolsonaro num segundo turno.
Essa mágica é mais ou menos o seguinte: perguntam a você o que você deseja comer no jantar, mesmo que ainda faltem três horas para que o almoço seja servido. É a antecipação do impossível.
Não parece um raciocínio desprovido de qualquer senso lógico?
O que de fato parece é que os institutos de pesquisa estão a serviço de meios de comunicação e de contratantes privados que têm interesse em gerar manchetes de jornal, mesmo que o produto que ofereçam ao leitor (e é isso que estão fazendo), não apresentem a menor credibilidade.
No último dia 5 de maio, por exemplo, a manchete de um jornal que trouxe um levantamento da RealTime Big Data, era a seguinte:
"Lula empata com Fávio, Caiado e Zema, no segundo turno."
De acordo com o instituto, o atual presidente "também aparece empatado tecnicamente com o ex-governador Ronaldo Caiado, por 43% a 42%, e com o ex-governador Romeu Zema, com 43% a 39%."
Sabe-se que o ex-governador mineiro Romeu Zema lançou-se nessa aventura à Presidência tendo como armas unicamente um duro ataque a ministros do Supremo Tribunal Federal (e "com isso potencializando sua candidatura", conforme ouvi e vi de uma âncora da principal rede de TV do país), e revelando desejos deploráveis, como o de que crianças têm que trabalhar.
Mas como é possível vender a ideia de que Romeu Zema- que aponto aqui como caso específico-, possa chegar ao segundo turno das eleições (enquanto apenas dois candidatos têm essa possibilidade), quando mesmo no próprio Estado que ele governou em dois mandatos (Minas Gerais), as pesqusias eleitorais o colocam na rabeira de Lula e de Flávio Bolsonaro?
O mais recente desses levantamentos trazidos por institutos de pesquisa veio da Genial/Quaest, divulgado na semana passada (dia 6), em que Zema aparece com 11% das intenções de voto entre os mineiros, no Primeiro Turno. Vê-se que nem em Minas Gerais Zema teria qualquer possibilidade de ir ao Segundo Turno.
Esse mesmo resultado Quaest aponta o Presidente Lula com 35% e Flávio Bolsonaro com 32%. Aliás, em Minas, Romeu Zema contrasta até com Ronaldo Caiado que, no seu Estado de origem (Goiás), que também governou, alcança 31% das intenções de voto.
Fica muito evidente que alguns institutos de pesquisa (e são vários os que agem assim) colaboram de graça para aumentar as desconfianças contra eles próprios, por trazerem resultados duvidosos e apontarem para uma simulação impossível de segundo turno (quando só os dois primeiros colocados podem subir), tudo evidenciando que estão aí para servir a manchetes desonestas de veículos de mídia que aparentam trabalhar para vender a desinformação, contrariando a verdade.