- Brasil e América Latina emergem como novas potências petrolíferas diante da instabilidade geopolítica global.
- Reservas do pré-sal e frota de FPSO posicionam o Brasil como líder na produção de combustíveis fósseis.
- Crise no Oriente Médio eleva custos dos combustíveis, enquanto Brasil beneficia-se de menor exposição a riscos.
- Previsão de 1,4 mil novos empregos no setor de petróleo até 2026, com crescimento da produção até 2032.
- Petrobras investe em energias renováveis, incluindo biorrefinaria e parceria para expansão de energia solar.
O Brasil e a América Latina caminham para se transformarem nos maiores beneficiários das mudanças geopolíticas mundiais que estão em curso, relativamente à geração de energias, especialmente quanto à produção e comercialização de combustíveis fósseis.
Mesmo que os conflitos entre Irã e Estados Unidos não cheguem a um desfecho feliz, com a total paralisação dos conflitos armados - como as incertezas sobre o acordo de paz estão demonstrando neste momento - o setor de produção e beneficiamento de diesel, gasolina e gás de cozinha está consolidando a América Latina, sob a liderança do Brasil, como a nova potência petrolífera.
A região ganha destaque geopolítico mundial por uma série de combinações de fatores, sobretudo pelas extraordinárias reservas que o Brasil apresenta no pré-sal, além de uma estrutura poderosa frota de plataformas FPSO ( que são formadas por navios gigantes projetados para extrair petróleo e gás do fundo do mar), algo sem comparação em qualquer outra região do mundo.
Essa percepção em torno da liderança do Brasil da América Latina em combustíveis fósseis foi ontem mostrada pontualmente pelo "Anuário do Petróleo no Rio 2026", divulgado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (FIRJAN), com destaque para o fato de que, além das condições e estruturas diferenciadas que a Petrobrás e outros agentes privados apresentam, a expansão na produção conta com diminuta exposição a riscos geopolíticos, se isso for comparado aos produtores do Golfo Pérsico.
Riscos, aliás, que fazem aumentar os preços dos produtos fornecidos por essas regiões, em razão das condições impróprias de produção e das dificuldades gigantescas de exportar seus produtos para o mundo.
No cenário atual, enquanto uma das mais importantes produtoras e exportadoras de combustíveis mundiais, fixada nos países do Oriente Médio, viu sua produção, beneficiamento, comercialização e transporte de combustíveis serem atingidos pela guerra que tomou conta da região após o atraque dos EUA e Israel ao Irã em 28 de fevereiro, os preços dos combustíveis que o mundo consome passam por uma estupenda alteração, mais do que dobrando de custos ao consumidor.
A própria FIrjan, ao anunciar o Anuário do Petróleo, adverte que nas condições internacionais atuais, o preço do barril de petróleo deixa de ser determinado apenas pelo fator do custo de produção, e passa a incorporar mais fatores adversos, como segurança, logística e risco geopolítico de transporte nas rotas de exportação, com o Estreito de Hormuz ainda sujeito ao abre/fecha ditado pela guerra.
O Brasil, enquanto isso, já vinha avançando na produção de combustíveis, com a retomada de plataformas paralisadas, o impulso que voltou a ser dado na produção do pré-sal e o novo ânimo instaurado na Petrobras, incluindo o movimento governamental para readquirir o domínio sobre refinarias e outros ativos vendidos pelo governo passado a preços aviltantes.
É natural que regiões produtoras localizadas fora desse eixo do Oriente Médio ganhem melhores condições de produção e passem a ganhar confiança na comercialização, o que no caso do Brasil já é um ativo histórico, decorrente de suas boas práticas de negócios com outras partes do universo.
No Brasil, o pré-sal já contribui com mais de dois terços da produção nacional de petróleo e gás natural. A estimativa é de que, nas condições atuais, o pico de produção no país seja alcançado em 2032, daqui a apenas 6 anos, com 5,1 milhões de barris.
A Firjan, com olhos nessa realidade, ao falar de um Rio de Janeiro que é líder de produção nacional, prevê um aumento no mercado de trabalho, com a geração de mais 1.400 postos até o final do próximo ano, o que elevará o contingente de trabalhadores do setor para 96 mil.
O relatório da Firjan reforça que a crise mundial atual aponta para a evidência da diversificação do Brasil na diversificação energética como questão que vai além da sustentabilidade ambiental, passando a ser obrigatoriamente também uma questão de segurança nacional, na medida em que países com matrizes mais diversificadas se mostram mais resilientes aos choques que podem surgir, como esse agora do Oriente Médio.
Isso permitirá ao país avançar significativamente para explorar outras fontes de energias - essas renováveis - pois o Brasil detém as condições climáticas e territoriais, de sol e vento, que só favorecem uma presença relevante diante do planeta.
A propósito, nesse sentido, os avanços da Petrobras em energias renováveis já vêm ocorrendo, incluindo o recente aporte de US$ 1,2 bilhão para construir uma biorrefinaria em Cubatão (SP) voltada a diesel renovável e bioquerosene de aviação (bioQAV), além de uma parceria estratégica com a Lightsource bp para expandir sua atuação no mercado de energia solar.