Ao completar, neste 20 de janeiro, um ano de sua posse no seu segundo mandato à frente da Presidência dos EUA, o republicano Donald Trump é observado por lideranças políticas e cientistas sociais como a maior fonte de ameaça à paz mundial, desde a Segunda Grande Guerra.
O mais significativo evento para celebrar esses primeiros 365 dias no comando norte-americano, é nada menos do que o recrudescimento do empenho pessoal e do reiterado desejo de Trump em tomar para si e para seu país, o território da Groelândia, uma ilha autônoma que pertence aos domínios da Dinamarca desde os idos de 1814, transformada em colônia dinamarquesa a partir de 1953.
Hoje mesmo, Trump foi às redes sociais para tratar de seu plano de adquirir a Groelândia e afirmou: "Sem retrocesso".
E prosseguiu com seus argumentos, dizendo que a aquisição ou o controle do território autônomo dinamarquês "é um imperativo para a segurança nacional e mundial", embora os países da Europa, por unanimidade, e a própria Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) ressaltem que a tentativa de Donald Trump é incabível e inconcebível.
Nesse pouco tempo à frente do seu segundo mandato presidencial, Trump rompeu com todos os padrões de política externa, desfechando os mais duros ataques à ordem internacional, com a invasão e derrubada do governo da Venezuela; aplicação de tarifas elevadas e desproporcionais a dezenas e dezenas de países que não estejam dispostos a ceder aos seus interesses; repetidas ameças de tomar o território do Canadá, transformando-o no 51º Estado norte-americano; emparedando o seu vizinho México, sob o argumento de combater o narcotráfico; impondo a intenção de se apropriar de minerais críticos e terras raras da Ucrânia e de outros países.
Faz tudo à revelia do diálogo e do respeito às outras nações, firmando perante a opinião pública de todo o universo a imagem real de que foi aleito não apenas para governar os Estados Unidos da América, mas para ser uma espécie de "imperador do mundo", onde todos estejam aos seus pés.
Internamente, do mesmo modo, Donald Trump despreza as instituições democráticas, combate e restringe as ações de universidades e ambientes de pesquisa e desenvolvimento científico, afronta juízes e coloca em andamento uma nunca vista perseguição administrativa e judicial contra pessoas e instituições que ele mesmo escolhe como inimigos, espalhando terror a cada momento. Basta ver a atuação mais recente disparada contra o Banco Central ( o Federal Reserve- FED), para impedir sua atuação no controle de juros.
São reiteradas as ações de Trump contra imigrantes e contra seus desafetos, usando o FBI para intimidar inimigos políticos, ou enviando a Guarda Nacional para reprimir manifestações (que se espalham a todo momento no país), confrontando governadores de Estado e prefeitos e importantes cidades, passando por cima da autoridade de quem quer que seja.
Quem descreve muito bem esse personagem assustador incorporado por Donald Trump, com os perigos que traz ao mundo, é o diplomata Rubens Ricúpero, que atuou como ministro de FHC (Fazenda e Meio Ambiente), e foi embaixador brasileiro na Itália e nos Estados Unidos.
Conhecedor profundo dos Estados Unidos, onde viveu como representante brasileiro, Ricupero não tem papas na língua quando diz que "Donald Trump é a maior ameaça que a democracia americana enfrenta desde a Guerra Civil Americana, de 1865. Representa em ideais tudo que é anti-iluminismo, anti progresso, anticiência, anti-problema climático. Ele é um retrocesso de valores."
O ex-embaixador do Brasil nos EUA vai mais além: "Não sei se as pessoas se dão conta de que estamos vivendo uma época de destruição do mundo em que vivemos, colocando-nos diante de uma situação muito grave e perigosa."
Rubens Ricupero conclui com essa advertência às pessoas de bom senso, ao mundo civilizado e às governanças responsáveis:
" Nunca vire uma coisa igual em toda minha vida. Vou completar 89 anos. Nasci em 1937, antes da Segunda Guerra Mundial. Desde que comecei a atuar nas relações internacionais, nunca vi algo assim. Entrei no Instituto Rio Branco em 1958, um dos meus examinadores foi Guimarães Rosa. O mudo que conheci está acabando. Estamos assistindo à destruição sistemática do mundo. Não é só a volta de conflitos. É a anulação do sistema multilateral que foi criado pra evitar os conflitos."
É muito verdade o que ele diz. ONU, Unesco, OTAN, estão todos sendo dizimados. E Donald Trump é a chave principal desse lamentável desmonte.