- Getúlio Vargas cometeu suicídio em 24 de agosto de 1954 no Palácio do Catete, Rio de Janeiro, após conflitos políticos e pressões da oposição.
- Vargas foi presidente do Brasil entre 1930 e 1945, e voltou à presidência em 1951, promovendo reformas sociais e trabalhistas, incluindo a CLT.
- Seu legado inclui a criação da Petrobrás em 1953, visando proteger a soberania brasileira sobre o petróleo, enfrentando resistência de elites econômicas.
- Carlos Lacerda, líder da oposição, criticava Vargas com discursos radicais, contribuindo para o clima de tensão que culminou no suicídio do presidente.
- A morte de Vargas reflete uma polarização política que persiste no Brasil, com conflitos entre governos progressistas e elites econômicas.
Este 24 de agosto é marco de uma das maiores tragédias da vida política brasileira, quando o Presidente da República, Getúlio Vargas, decidiu tirar a própria vida, atirando contra o peito, no Rio de Janeiro, nas dependências Palácio do Catete, que era a sua residência oficial, na manha de 24 de agosto de 1954.
Hoje são decorridos 72 anos de sua morte, um episódio lamentável, nunca esquecido, e que até hoje é motivo de estudos e análises, pelas motivações políticas que o levaram a esse desesperado ato final. Getúlio Dorneles Vargas, gaúcho de São Borja, marcou a história do Brasil entre 1930 e 1945(na chamada Era Vargas), e depois voltou à Presidência em 1951, ficando até sua morte em 1954.
Sua passagem pelo governo brasileiro marcou transformações na economia, na criação de estruturas governamentais que se transformariam nos maiores empreendimentos do país, como a Petrobrás, mas sobretudo ficou consagrado pela implantação de todas as mais avançadas leis reguladoras das relações de trabalho, ao criar a CLT( Consolidação das Leis do Trabalho), instituir o salário mínimo em 1936, regulamentando-o em 1940, quando foi estabelecido o valor real mínimo do piso.
Tendo chegado ao cargo de Presidente pelo voto direto, mas também por eleição indireta na chamada Ditadura Vargas, teve uma atuação sempre concentradora de poder, atuando em vários episódios com mão de ferro, criando as condições para um Estado forte, muitas vezes intervencionista.
Mantendo um direcionamento voltado para políticas sociais- daí ser popularmente conhecido como "Pai dos Pobres"-, Getúlio sempre teve uma noção muito clara sobre a soberania do Brasil, razões que o levaram a desencadear uma imensa campanha nacional em torno do slogan "o Petróleo é Nosso", que mobilizaria a Nação e desaguaria na fundação da Petrobrás, que foi criada em 3 de outubro de 1953, por meio da Lei nº 2.004.
As circunstâncias anteriores a sua morte eram adversas no campo da política oposicionista, que temia o espírito muito progressista que o Presidente desenvolvia e certamente tentava parar os seus avanços no campo social e na proteção às reservas brasileiras de petróleo, tendo na época uma visão muito avançada que resultaria na Petrobrás, e que viraria um símbolo para o Brasil, mas igualmente um objeto de cobiça por muitas potências estranjeiras.
Sendo o Rio a sede nacional do Governo e estando ali instaladas as duas Casas do Congresso, a antiga capital da república era um verdadeiro barril de pólvora, incendiado pela verve, pelo verbo e pelo furor de Carlos Lacerda, um político que ocupava à época uma cadeira na Câmara Federal de Deputados, era detentor de uma oratória vibrande e desafiadora, colocando-se como a arma principal da direita, da extrema direita, dos donos de grandes meios de mídia e de detentores do concentrado poder econômico do eixo Rio/Minas/São Paulo.
Lacerda fazia quase que diariamente discursos bombásticos contra Vargas, sempre altamente repercutidos pelo imprensa da época, essa mesma (com raríssimas mudanças) que faz um enfrentamento desleal e rasteiro ao Presidente Luis Inácio Lula da Silva e serviu recentemente para abastecer a oposição e os movimentos de rua, todos encomendados, nos processos que levaram à deposição da Presidente Dilma Roussef, única mulher eleita à Presidência, derrubada num conluiu até hoje não explicado.
O apontado envolvimento de seguranças da Presidência na morte do major da Aeronátutica Rubens Vaz, que dava proteção a Carlos Lacerda, em 5 de agosto de 54, incendiou de vez o Congresso e fez as Forças Armadas exigirem que Getúlio renunciasse à Presidência, o que ele não aceitou, preferindo tirar a própria vida.
Em todas as análises que se possa fazer sobre a morte de Getúlio Vargas, é fato concreto que a atuação dele no amparo aos mais vulneráveis, na institução das leis trabalhistas de proteção aos trabalhadores, regulando atividades antes entregues às mãos de empresários raramente interessados na prevalência de princípios de justiça, e nas medidas tomadas para fazer prevalecer a soberania brasileira, formaram um conjunto de contrariedades que impulsionou seus adversários a um duro e permanentre combate, até o dia fatal.
Esses sinais de contrariedade com governantes progressistas estão presentes até hoje no Brasil. O PT, Dilma Roussef e Lula, além de governantes do campo da esquerda em todo o país sofrem por conta dessa polarização política que se estabelceu e veio para ficar.
Uma polarização que não aceita diálogo, não admite conversa, só enxerga um lado (o seu) e não está disposta a abrir mão de seus interesses políticos e econômicos, muitos induzidos a entregar para estrangeiros, de mão beijada, riquezas, patrimônios e conquistas legítimas do Brasil, como vem se fazendo nos tempos de agora contra o Pix, por exemplo, contra as nossas reservas minerais, as terras raras e minerais críticas, e as tentativas deploráveis de enfraquecimento da Petrobrás.
Embora o Brasil continue profundamente desigual e injusto, o que Lula tem feito nessa tarefa de empoderar os mais pobres, proteger o trabalhador e fortalecer nosso patrimônio continuará, o fazem muito parecido com Vargas.
Para nossa sorte e azar da direita brasileira, esse campo do atraso, do entreguismo e da difusão do ódio não viu nascer até hoje um outro Carlos Lacerda, que era capaz de incendiar os mais varirados ambientes, com seus discursos violentos, mas geralmente baseados em reconhecida capacidade intelectual que esse político possuía.
Ainda bem que à extrema direita brasileira sobrou pouca coisa para abastece-la nesse anseio nefasto de golpe e morte.