- Lula viaja para os EUA em 15 dias antes do primeiro turno da eleição presidencial no Brasil.
- Participará da Assembleia Geral da ONU e terá encontros com políticos norte-americanos, incluindo Trump.
- Na ONU, Lula defenderá o multilateralismo e criticará guerras movidas por interesses dos EUA.
- Encontros com Mamdani e Trump ocorrerão em meio a tensões geopolíticas e interesses estratégicos.
- Lula e Mamdani compartilham visões progressistas, mas reações de Trump podem gerar retaliações ao Brasil.
Faltando apenas 15 dias para a realização do primeiro turno da eleição presidencial no Brasil, o presidente Lula viaja nesse domingo para os Estados Unidos, onde participará da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas(ONU), na terça-feira, 22, e onde terá, a partir da segunda-feira, encontros políticos relevantes, com o prefeito democrata de Nova York, Zohran Mamdani, e provavelmente, também, com o presidente norte-americano, Donald Trump.
Além da importância da Assembleia da ONU, em que se aguarda um discurso forte em torno das questões mundiais mais importantes e preocupantes do momento, os encontros políticos que deverá ter com o prefeito de Nova York, que o convidou para conversar, e com o presidente Trump, se revertem de significado especial, pois se trata de dialogar com líderes políticos de espectros diferentes, em muitos pontos antagônicos na política norte-americana, com visões muitas vezes opostas sobre a realidade universal.
Isso tudo se reverte de importância maior por se tratar de conversas que ocorrem às vésperas das eleições no Brasil, quando se sabe que há interesses especiais do governante americano não apenas no resultado do pleito, mas um interesse maior em relação ao que o Brasil pode oferecer aos Estados Unidos.
Sabe-se, conforme se depreende de informações do campo diplomático, que o Presidente Lula, na reunião da ONU, deverá fazer um pronunciamento com forte defesa do multilateralismo como linha básica da política externa brasileira, uma posição inspirada na soberania nacional e no interesse de amplas relações com os mais diferentes países do mundo, algo que se contrapõe aos esforços e atitudes que Donald Trump tem demonstrado suas tentativas de interferir em gestões internas de outras nações, como bem demonstra o que se passa na Venezuela.
Um dos pontos de destaque do discurso de Lula será a condenação às guerras atuais existentes no mundo, sempre alimentadas por interesse político e econômico dos Estados Unidos, como acontece atualmente entre Israel e povo palestino, Israel contra Irã, Rússia e Ucrânia, com apelo aos governantes com assento na ONU para que cessem esses conflitos armados que já geraram milhões de mortes e despejam prejuízos econômicos sobre outros países da terra que nada têm a ver com esses movimentos sangrentos.
É provável que, além desses temas, a fala de Lula na ONU se volte também para questões brasileiras mais em evidência, como as terras raras e minerais críticos- foco permanente do interesse americano-, e a insistência com que Trump tem agido para considerar facções criminosas que operam no Brasil como "terroristas", que é vista como um escape para que forças norte-americanas possam se sentir autorizadas a invadir o território nacional, sob o argumento de que lutam contra o terrorismo.
Ao contrário do que ocorre em relação a Trump, o que aproxima Luiz Inácio Lula da Silva e o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, é principalmente o alinhamento político no campo progressista e de esquerda, marcas que têm sido observadas no perfil do jovem governante da principal cidade norte-americana, condições que o fazem ser apontado como futuro presidente dos EUA.
Mamdani, definido como um socialista democrático, é visto por setores do PT e segmentos progressistas brasileiros como uma liderança jovem com potencial de renovar a esquerda em nível global, campo político no qual Lula é uma referência histórica reconhecida internacionalmente. O prefeito novaiorquino defende políticas públicas focadas na classe trabalhadora, ampliação de moradia acessível, congelamento de aluguéis, gratuidade no transporte público e redução do custo de vida, pautas que dialogam com a bandeira histórica de combate à pobreza e às desigualdades defendida por Lula. Tem, assim, pontos em comum com Lula.
Não se sabe, porém, que reações Donald Trump poderá ter diante desse provável encontro de Lula com o prefeito Mamdani. Se não considerar isso como fato nornal, próprio das relações políticas concernentes às atividades de lideranças de diferentes campos, e enxergar nisso uma espécie de desafio ao seu império govermental, aí poderão vir mais retaliações ao Brasil, recrudescendo atitudes antes tomadas, como a aplicação dos tarifaços a produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, e sanções a autoridades brasileiras que não rezem pela sua cartilha internacional. Sabe-se, por exemplo, que Trump já determinou sanções a ministros do Governo Lula e a integrantes do STF.
Analistas políticos norte-americanos têm observado que apoximar-se de Lula representaria a Mamdani um ganho de projeção no movimento progressista internacional, além do interesse especial que o prefeito nuntre pelo Brasil, por significar uma grande economia na América Latina e um cenário em perigo diante do avanço da extrema direita na região. Tanto Lula quanto Mamdani mantém posturas críticas e de independência em relação a Donald Trump, o que coloca ambos no mesmo radar político.