- Banco Mundial revisa crescimento do PIB brasileiro para 2,1% em 2026, mantendo média regional de 2,2%.
- Altas taxas de juros Selic, em 13,75%, dificultam crédito e afetam desenvolvimento produtivo do Brasil.
- Brasil lidera mundialmente em juro real, com 8,45%, impactando negativamente a economia e o consumo.
- Política de juros elevados do Banco Central gera crise em setores diversos e recorde de empresas em recuperação judicial.
- Analistas destacam restrições monetárias e círculo vicioso negativo que reduzem crescimento e PIB no Brasil.
O relatório Panorama Econômico da América Latina e Caribe, do Banco Mundial, que ontem foi divulgado, revisa para cima o crescimento do Produto Interno Bruto do Brasil (PIB), que passa de uma projeção de 1,9% para 2,1% em 2026. O desempenho da economia brasileira deve ficar na mesma média da região, estimada em 2,2% para este ano.
Um dos fatores apontados pelo Banco Mundial para que o Brasil não alcance um crescimento mais expressivo em 2026, além do aperto das condições monetárias e redução de recursos para investinento no setor público, diz respeito às dificuldades trazidas pela taxa de juros Selic - praticada pelo Banco Central, que é autônomo e independente-, que está em 13,75% ao ano.
Hoje, o Brasil ocupa a primeira posição no ranking mundial de juro real, com uma taxa de 8,45% ao ano( já descontada a inflação), segundo levantamento da MoneYou em parceria com a Lev Intelligence. Isso acarreta uma imensa dificuldade à economia como um todo, reduzindo o crédito que financia o mercado produtivo e fazendo as taxas aplicadas pelos bancos ficarem impraticáveis.
As taxas altas de juros no Brasil encarecem o crédito e travam o desenvolvimento produtivo do país, a ponto de o país ter chegado a este segundo semestre do ano com um recorde de 6.341 empresas em recuperação judicial. A crise atravessa setores diversos, e os juros elevadíssimos são parte signifiticativa deste grave problema.
O Governo do Presidente Lula, desde que o ministro Fernando Haddad dirigia a economia, travou uma luta árdua para fazer o Comitê de Política Econômica (COPOM baixar os juros, e mesmo com o fim do mandato de Roberto Campos Neto na presidência do Banco Central, em 31 dedezembro de 2024, pouco os governistas conseguiram avançar depois de Gabriel Galípolo ter assumido o comando do banco oficial.
As pressões dos comandantes do mercado econômico e financeiro para que se mantenham taxas elevadas, com as quais têm maior lucratividade, nunca diminuíram, mas ao contrário até mesmo aumentaram.
A política do Banco Central, de manter taxas Selic sempre mais elevadas, sob o argumento de que isso é necessário para sustentar o combate à inflação, se tem, por um lado, um viés de recionalidade, não leva por outro lado consideração as atividades de produção da indústria, do comércio, dos serviços e a vida financeira das famílias, que muitas vezes precisam recorrer ao crédito para sasisfazer suas necessidades.
As taxas de inflação no Brasil têm mantido baixa taxa de inflação, com 4,22% acumulada em 12 meses referente a agosto de 2026), dentro da meta estabelecida pelo Banco Central, e mesmo abaixo de países desenvolvidos.
Analistas econômicos formam uma opinião consistente de que, no Brasil, condições monetárias restritivas pesam sobre a demanda interna, enquanto um mercado de trabalho ainda
aquecido continua a oferecer certo suporte. Ora, se as empresas começam a ser afetadas pela ausência de crédito e pelo seu desproporcional encarecimento do dinheiro acessado, gerando redução de produção e até mesmo paralisado atividades, é natural, como consequência, que isso se reflete lá na ponta, no consumo, criando um círculo vicioso negativo, que afeta todos e resulta, por último, na redução do crescimento econômico, diminuindo o PIB.
Esta é uma realidade incontestável.