Brasil entrou definitivamente na era da quarta idade, uma realidade que traz em si enorme desafio para as famílias e para os governantes em geral, pois esse aumento da longevidade amplia os cuidados com a saúde e influencia o mercado de trabalho.
Dados oficiais mais recentes, com base no Censo Demográfico de 2022, do IBGE, indicam que já existem entre nós cerca de 4,5 a 5 milhões de brasileiros que têm mais de 80 anos de idade, representando em torno de 12% da população do país.
Proporcionalmente isso pode significar pouco, mas é fato que esse número aumenta a cada ano, sendo esse grupo o que mais cresce no contexto geral do envelhecimento de brasileiros.
Calcula-se, pelo ritmo alcançado até agora, que até 2030 (faltando só quatro anos), existirão entre 6 a 7 milhões de pessoas com mais de 80 anos, e até 2050( em menos de 25 anos), esse universo de idosos na quarta idade será de 13 a 14 milhões.
Esse é um crescimento que se registra fundamentalmente por conta de dois fatores essenciais. O aumento da expectativa de vida, graças aos avanços da ciência e à ampliação dos cuidados com a saúde, sobretudo no terreno público, e na outra ponta, pela redução da natalidade, um processo acelerado, marcado pelo menor número de nascimentos desde o ano de 1977, conforme atestam os levantamentos oficiais.
Conforme essas pesquisas atestam, esse é um fenômeno impulsionado pelo aumenta da idade das mães ( que estão tendo filhos em idade superior aos 30 anos de vida), tudo em função do trabalho, do planejamento familiar e, após os nascimentos, pelos custos elevados com educação, alimentação, entre outros fatores limitantes. A taxa de fedundidade baixou no Brasil para 1.57 por filho.
Nesse quadro, estamos vendo crescer o numero de idosos, muito fortemente nesse ciclo do pós-80, o que só faz aumentar os cuidados e atenções no campo da saúde. O IBGE mostra que o perfil desse público é dominado pelas mulheres (que estatisticamente vivem mais), aposentadas ou integrantes de programas de Benefício de Prestação CVontinuada(BPC).
O Brasil possui políticas para idosos em geral, para aqueles que estão acimados 60 anos, com regulação contidada no Estatuto dos Idosos (Lei 10.741/2003), e Política Nacional de Idosos )Lei 8.842/1994).
Em 2017, a lei 13.466 criou prioridades específicas para pessoas com mais de 80 anos, com benefícios à frente dos idosos entre 60 e 79 anos, como, por exemplo, prioridade em filas, acesso a serviços públicos, maior agilidiade nos processos judiciais e atendimentos especiais nas questões de saúde.
Muitos desses integrantes da quarta idade permanecem no batente. Calcula-se que entre 100 a 150 mil estão no mercado de trabalho, exercendo alguma atividade econômica, não apenas no trabalho formal, mas na agricultura familair , no pequeno comércio e em atividades intelectuais, artísticas, culturais.
Mas esse fenômeno crescente da quarta idade, que se transforma num dos maiores desafios demográficos do Brasil, passa a exigir, além de mecanismos legais, uma prática efetiva de proteção mais notável, séria e permanente, principalmente através de redes de cuidados de longa duração, ampliação do exercício de cuidados domiciliares, adaptação das cidades ao envelhecimento das pessoas, ampliação das redes públicas de atendimento em geriatria e gerontologia, políticas de proteção social e autonomia e ampliação dos espações de entretenimento, cultura e lazer.
Esse desafio precisa ser respondido com agilidade, eficiência e muito respeito.