- Lula vence eleição com mais de 4,4 milhões de votos, mas enfrenta desafios para montar equipe de governo diferente da anterior.
- Relação com o Congresso Nacional foi marcada por conflitos, mas com avanços como isenção do Imposto de Renda e fim da escala 6x1.
- É necessário aproveitar o atual Congresso para aprovar PEC da Segurança Pública e criar Ministério da Segurança.
- Lula busca aliados como Rafael Fonteles, Geraldo Alckmin e Camilo Santana para enfrentar desafios econômicos e sociais.
- Novo mandato exige abordagem inovadora, com mentes novas e fora da política tradicional para governar o Brasil.
A larga vantagem que o Presidente Lula colocou à frente de seu adversário, senador Flávio Bolsonaro, vencendo-o no último domingo por uma dianteira de mais de 4.4 milhões de votos, poderia ensejar maior tranquilidade na montagem de sua equipe de Governo para o quarto mandato. Mas os fatos vão demonstrando o contrário.
A cada momento parece tornar-se necessário apressar a formatação de sua futura equipe, porque os acontecimentos correm no sentido de indicar que esse quarto mandato tem a necessidade de ser rigorosamente diferente de toda a gestão que Luiz Inácio Lula da Silva empreendeu desde que chegou ao Palácio do Planalto pela primeira vez, em 1º de janeiro de 2003.
O momento é profundamente outro, os acontecimentos políticos são bastante diferentes e os problemas estão de tal modo amplificados, que não dá para esperar mais tempo para dizer à sociedade, às famílias, aos trabalhadores, aos idosos, aos jovens e ao mercado, como será o trabalho a partir de janeiro e que tipo de auxiliares Lula vai escolher para ajudá-lo na tarefa difícil de tornar o Brasil mellhor. Porque essa foi a promessa de campanha.
Não bastassem as dificuldades trazidas desse seu terceiro mandato governamental, armazenadas pelos desacertos nas relações com o Congresso Nacional, que levaram a duros e deploráveis embates entre o Executivo e os legisladores - embora aqui se reconheça que ocorreram alguns avanços, com a aprovação de importantes medidas, a exemplo da isenção do Imposto de Renda para ganhos até R$ 5 mil, o fim da escala de trabalho 6x1, a taxação da Bets, entre outros avanços, há de se contabilizar que o saldo negativo nessa relação com o Congresso foi elevado.
Esse relacionamento com o Legislativo é um ponto importante nesse quarto mandato que Lula iniciará em janeiro, daí sendo necessário aproveitar o ambiente que ainda existe nessa legislatura que se encerra em 31 de janeiro, porque o próximo parlamento que se instala a partir de 1º de janeiro vem amplamente modificado, reforçado pela presença expressiva de representação da direita mais extremada, numa sinalização de que pode se transformar em grande embaraço aos planos governamentais do Presidente reeleito.
Sendo assim, aproveitar o momento em que David Alcolumbre e Hugo Motta ainda estão sentados nas cadeiras de presidente do Senado e da Câmara, para uma aliança que leve à aprovação de matérias decisivas, parece ser uma estratégia que Lula precisa levar muito a sério, e certamente já trabalha nesse sentido.
Uma dessas necessidades é a aprovação da PEC da Segurança Pública, porque através dela o Governo tem a chance de criar o Ministério da Segurança e, desse modo, dar a resposta que se espera a um dos problemas mais graves da atualdiade brasileira, aliás o tema mais delicado durante a campanha eleitoral.
Deixando essa PEC para depois, certamente as dificudades serão muito mais relevantes.
Outras questões sensíveis, até mesmo mesmo fora do Congresso, também merecem atenção especial e pressa na condução, sobretudo no campo econômico, pois Lula terá que responder à cobrança do mercado financeiro por ajustes nas contas públicas, lidar com a contrariedade dos brasileiros pelo aumento do custo de vida e endividamento inaceitável e atender às necessidades gerais do país no tocante à continuidade de investimento público na infra-estrutura básica, na melhoria dos serviços à população.
Não é sem razão que em todo esse contexto, os olhos do mercado e de setores expressivos da mídia se voltem para dois nomes, particularmente, capazes de contribuir com Lula na condução desses desafios. Refiro-me ao governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles e ao Vice-Presidente Geraldo Alckmin, duas figuras, aliás, que foram peças importantes durante a campanha eleitoral.
Lula tem outros nomes próximos a ele, que podem dar gande contribuição, a exemplo do senador Camilo Santana, ex-governador do Ceará, que teve grande peso na reeleição do Presidente e que se oferece como um nome capaz e inovador. Tudo isso na necessidade de se somar à busca que Luiz Inácio Lula da Silva terá que empreender fora da política tradicional e dos falidos partidos políticos, trazendo de ambientes onde o pensamento tem domínio, mentes novas, arejadas e preparadas para ajudá-lo a governar.
Sinceramente, não vejo muits saídas fora desse entendimento.