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Coluna do jornalista José Osmando - Brasil em Pauta

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Energias eólica e solar batem recorde e ultrapassam fontes fósseis pela 1ª vez

Conflito no Oriente Médio acelera a transição energética global e as fontes renováveis superam o gás. Saiba como o Brasil se destaca nesse cenário

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  • A guerra no Oriente Médio está impulsionando o uso de energias renováveis.
  • As fontes de energia solar e eólica superaram a gás pela primeira vez na história.
  • O Brasil é líder em capacidade instalada de energia eólica e fotovoltaica no mundo.
  • A energia renovável representa 24% da eletricidade gerada no país, com 15% de eólica e 9% de solar.
Energias solar e eólica superam o gás pela primeira vez | Reprodução

Como alguma vez o impossível acontece, até que enfim a guerra no Oriente Médio- deflagrada em 28 de fevereiro de 2026, quando Israel e Estados Unidos lançaram um ataque conjunto contra várias localidades do Irã-, está trazendo os primeiros reflexos positivos para o mundo. 

Embora ninguém de sã consciência possa esperar que conflitos armados tragam benefício de algum modo aos humanos e à natureza, o fato é que essa guerra está empurrando os países em direção às fontes renováveis de energia, deixando para trás as tradicionais fontes fósseis vindas do gás e do petróleo, desde que foram travadas a exploração e a e exportação.

O resultado concreto desse fenômeno está na constatação de que as energias solar e eólica superaram o gás pela primeira vez na história, conforme relatório de agência especializada divulgado ontem em Berlim, Alemanha, que considerou a geração global de eletricidade por fonte. 

A fonte de geração elétrica a partir do gás ficou para trás, o que é considerado fator bastante relevante e positivo para que as nações deixem de depender das fontes fósseis, o que se prevê seja possível até 2050, num benefício notável para o equilíbrio ecológico do planeta e a redução das emissões de carbono na atmosfera. Esse era um objetivo que vinha sendo tentado por diversas nações do mundo, em ambiente de paz, mas só agora está sendo alcançado, num ambiente de grave conflito armado. Trata-se, de fato, de uma gigantesca ironia.

Essa marca histórica da geração de energia solar e eólica foi atingida no mês de Abril, em pleno exercício dos conflitos armados que se espalharam pelo Oriente Médio, ultrapassando a barreira do Irã, e atingindo de maneira dramática a produção de petróleo e gás em diversos países da região, praticamente impossibilitando a navegação de produções, em face do fechamento do Estreito de Ormuz.

Essa notícia é um marco significativo na produção de energia, tornando-se um divisor de águas por constituir uma guinada histórica rumo à descarbonização. É um acontecimento que demonstra a consolidação técnica e financeira das energias renováveis frente aos combustíveis fósseis.

E neste campo o Brasil tem uma posição confortável e respeitada, não apenas por possuir gigantescas condições ambientais para a geração de energiais renováveis, com fartura de ventos e de sol, mas porque já vem, na prática, fazendo muito bem feita a lição de casa, pois já ostenta a 5ª posição no mundo em capacidade instalada de energia eólica e o 6º lugar global em energia solar fotovoltaica. 
Olhando-se para dentro do Brasil, as fontes eólia e solar já representam 24% da totalidade da eletricidade gerada no país, com cerca de 15% para a eólica e pouco mais de 9% para a solar. A concentração de eólica ocorre majoritariamente no Nordeste. 

Calcula-se que cerca de 85% dos parques eólicos estão em território nordestino, distribuídos entre os Estados do Rio Grande do Norte, Cerá e Piauí. Já a energia solar, também presente nesses e outros Estados da região nordestina, alcança grande volume de produção também na Bahia (sobretudo em Juazeiro) e em Pernambuco (Petrrolina), alimentando o que é hoje o maior centro de produção de frutas do Brasil.   

Enfim, nesse mundo de disparates inimagináveis, a guerra se encarrega de produzir um efeito bom, que ninguém esperava.

*** As opiniões aqui contidas não expressam a opinião no Grupo Meio.
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