SEÇÕES

José Osmando

Coluna do jornalista José Osmando - Brasil em Pauta

Lista de Colunas

Falta de mão-de-obra qualificada está criando muita dificuldade às empresas

Trata-se da carência de empregados disponíveis no mercado, especialmente daqueles com especialização, com qualificação profissional.

Ver Resumo
  • Desemprego no Brasil atinge 5,6%, mas carência de profissionais qualificados se torna problema crítico para empresas.
  • Vagas em cibersegurança e inteligência artificial ficam sem preenchimento por até 60 dias devido à escassez de mão de obra.
  • 80% dos empregadores enfrentam dificuldades para contratar profissionais qualificados, um problema que persiste desde 2023.
  • Investimentos em educação técnica e parcerias público-privadas são apontados como essenciais para resolver a crise de mão de obra.
  • Plataformas como Qualifica ProBr e instituições do Sistema S oferecem cursos gratuitos para capacitar trabalhadores de baixa renda.
Falta de mão-de-obra | Reprodução

Com os níveis de desemprego no Brasil chegando aos mais baixos da história- na casa de 5,6%, conforme os últimos registros do relatório IBRE, da Fundação Getúlio Vargas-, as empresas começam a contar com um problema sério, que precisa urgentemente ser contornado. Trata-se da carência de empregados disponíveis no mercado, especialmente daqueles com especialização, com qualificação profissional.

São muitas as empresas nacionais, em todos os segmentos e em qualquer parte do país, que estão apresentando esse nível de dificuldade, relatando um esforço crescente e um tempo de espera crescente na busca por novos empregados. Dessa forma, aquilo que tanto o Brasil esperou - que era a redução do desemprego-, passa a ser um agravante relevante à produção e aos serviços, em razão de a procura por contratação estar sendo maior do que a oferta que o país tem a oferecer.

Há relatos de empresas que atuam na área de cibersegurança e inteligência artificial que estão oferecendo dezenas de vagas e levando até 60 dias para preencher um terço desses lugares ofertados, pois não existe no mercado profissionais qualificados, como arquitetos de soluções, engenheiros de dados, analistas financeiros, além de outras áreas, com salários que vão a até R$ 20 mil.  

Mas a carência de profissionais está presente em quase todos os setores industriais e na maioria de serviços estratégicos. 

Ao olhar para o que os levantamentos têm revelado, os analistas econômico revelam que oito em cada dez empregadores estão tendo dificuldades para encvontrar profissionais, um quadro que se repete desde 2023, entrando no seu quarto ano. Trata-se de um desafio que vem crescendo e gerando enorme preocupação maior ainda para quem precisa de profissionais de nível superior. 

Nesse grupo de profissionais qualificados, com ensino superior, a taxa registrada no primeiro trimestre de 2026 foi de 3,3%, praticamente a metade do percentual de desemprego geral, que ficou em 5,6%. Essa carência por mão-de-obra qualificada reduz a produção das empresas e termina por elevar os preços dos bens finais que chegam ao consumidor.

Diante desse quadro, o Brasil precisa, com a brevidade que o caso requer, realizar um grande investimento na ampliação de plataformas digitais, reforçar e amplair as parcerias público-privadas para a expansão do ensino técnico-profissionalizante, ações necessárias para combater esse apagão inesperado de mão-de-obra que se instalou no país.

As análises sobre as pesquisas indicam que as vagas ociosas tendem a aumentar e apontam  uma mudança estrutural no mercado de trabalho brasileiro provocada por fatores como demografia, vagas formais com baixos salário e novas aspirações dos trabalhaores por jornadas mais flexíveis.

 O Brasil é o quarto entre 42 países com maior intenção de contratação nas empresas entre julho e setembro do ano passado, segundo outra sondagem da ManpowerGroup. Dos 1.080 empregadores entrevistados, 52% revelaram disposiçao de amplair suas equipes de trabalho.

Sabe-se que o atual Governo, dentro do programa Qualifica ProBr, lançou plataformas integradas conectando os trabalhadors a mais de 30 mil cursos gratuitos e vem cruzando dados regionais para mostrar aos interessados quais as profissões mais interesessantes, aqueles que pagam melhores salários e oferecem mais atraentes condições ao trabalhador.

Essa iniciativa se conecta com os esforços de ampliação que vem sendo institucionalizado nas universidades públicas e nos Institutos Federais de Educação, com atuação integrada do Sistema S (Senai, Senac, Senat e Senar).  

Esse sistema integrado tem aberto com frequência editais ofertando milhares de vagas gratuitas, com apelos diretos às populações de baixa renda, com foco muitas vezes em áreas como automação industrial e edificações, que são setores muito ativos na economia brasileira.

Vê-se, diante desse quadro apresentado, que tudo tem dois lados. O que é altamente positivo, como a alta empregabilidade que o Brasil vem sustentando, pode virar uma dor de cabeça enorme, por faltarem os  empregados de que as empresas precisam para se manterem vivas e atuantes.

*** As opiniões aqui contidas não expressam a opinião no Grupo Meio.
Tópicos

VER COMENTÁRIOS

Carregue mais
Veja Também