Decorridos dez dias do início da guerra no Oriente Médio, deflagrada após EUA e Israel atacarem o Irã e matarem o líder supremo do país, Aiatolá Ali Khamenei que estava no poder desde 1989, a escalada dos conflitos em toda a região ganhou dimensões gigantescas, com suas ações refletindo não apenas nas mortes causadas e na destruição material gerada em áreas urbanas e miliatres.
As tensões estão trazendo abalos imediatos e crescentes à economia global, registrados de maneira significativa pela disparada nos preços dos barris de petróleo, em razão de toda a logística de produção ter sido levada a zero e também pelo fato de que o escoamento do petróleo e gás ali produzido está deixando de sair de todo Oriente Médio, graças ao fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam os navios de transporte aos outros países.
Pelo Estreito de Ormuz passam 25% do petróleo e gás que abastecem o mundo. O seu estrangulamento, como agora ocorre, gera notável desequilíbrio no custo energético global. Não é apenas o preço em si do barril de petróleo e gás que aumenta. Os analistas econômicos colocam nesse aumento geral ítens essenciais ao transporte, como a elevação de seguro e frete de navios, além de inflação e juros que isso acarreta, e um efeito danoso e visível sobre as bolsas de valores em todo o planeta.
Só para se ter uma ideia dessa degeneração de preços que a guerra produz, o seguro por um contêiner está agora por US$ mil dólares,o que torna inviável o transporte.
A interrupção de toda a logística de produção e exportação vai continuar levando os preços a uma disparada pouco vista na história.
Se olharmos para as tabelas de uma semana antes de 28 de agosto (quando os ataques começaram), já podemos verificar que os preços do barril de petróleo já subiram algo em torno de 40%, com tendência de que quanto mais tempo essa guerra durar, mais elevados serão os preços do combustível. Só no primeiro dia da guerra, o barril de petróleo teve elevação de 13% e nos dias que se seguiram ganharam força, passando neste momento dos 40% de elevação. Os valores saltaram de um patamar de US$ 60 para mais de US$ 100.
O Brasil, embora sinta os efeitos diretos da alta do petróleo em menor dimensão que outros países, também está sujeito a impactos negativos severos.
Os analistas apontam que no último dia 3 de março, com poucos dias da guerra, o valor das empresas brasileiras teve uma redução de R$ 166 bilhões. Embora parte desse tombo tenha sido recuperada no dia seguinte, isso mostra o quanto a bolsa de valores fica exposta a esses abalos, sobre os quais não podemos ter qualquer controle.
Noutro aspecto, o Brasil está às vésperas de mais uma sessão do Comitê de Política Monetária(COPOM), que se reúne dias 17 e 18, na próxima semana, portanto, e esse encontro vinha na promessa de que as taxas de juros Selic começariam a baixar, após oito meses de terem sido fixadas em 15% ano, o que significa um grave dano às atividades econômicas do país.
Agora, com a crise que a guerra do Golfo está espalhando para o mundo, os integrantes do Copom, sempre relutantes em baixar essas taxas, agora se abraçam (até com certa razão) ao argumento de que os juros não podem baixar, porque vê-se presente um forte risco de retorno da inflação, um mal maior que todos querem ver afastado.
Os analistas econômicos que põem o olho no Copom, acreditam que nada de novo vai acontecer. Que os membros do Comitê não terão ímpeto para mais uma vez elevar as taxas, mas que também não se alimentam de qualquer entusiasmo para baixar os juros.
Tudo deve continuar como antes, mesmo que as atividades industriais, de comércio e serviço continuem registrando desaquecimento, com reflexos danosos para o consumo e comprometimento geral da economia, especialmente para os resultados do nosso Produto Interno Bruto.