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Coluna do jornalista José Osmando - Brasil em Pauta

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Mega operação contra crime organizado mostra a integração que é urgente manter

Nessa mega-operação integrada, foram cumpridas ações em 16 dos 27 Estados brasileiros, sendo a maior operação pela extensão de território, com grande peso sobre o Estado do Rio.

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  • Trump acusa Comando Vermelho e PCC de terrorismo, enquanto Brasil atua contra quadrilhas com operações integradas.
  • Operação Força Integrada III deflagrada em 16 estados e DF, cumprindo 159 mandados e 70 prisões.
  • Combate ao crime organizado envolve integração entre federais, estaduais e municipais, com foco em lavagem de dinheiro.
  • Operação revela ligação de políticos do Rio e São Paulo com organizações criminosas, incluindo ex-governador Cláudio Castro.
  • Integração de forças é considerada eficaz para enfrentar crime organizado, que se beneficia de corrupção e contrabando.
Mega operação contra crime organizado mostra a integração que é urgente manter | Divulgação

Enquanto se vê a  todo dia um esforço espetacular do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de demonstrar sua pretensa superioridade sobre outros países, interferindo em questões internas nacionais, como fez recentemente ao rotular como "organizações terroristas" o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC), que atuam em território brasileiro, o Brasil vem fazendo o dever de casa, atuando com vigor e integração de forças para desbaratar quadrilhas e colocar bandidos na cadeia.

Foi isso que se viu, por exemplo, nessa mega operação que Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs), desenvolveu nessa última quarta-feira, cumprindo 159 mandados de buscas, 70 de prisão, e efetuando mais 15 prisões em flagrante contra acusados de tráfico de drogas, tráfico de armas, lavagem de dinheiro e outros crimes perpetrados contra a ordem público e o bem-estar dos cidadãos. PCC, Comando Vermelho e outras ramificações do crime já vêm sendo combatidos há pelo menos três anos.

E ao contrário da falácia de Trump e do aplauso que políticos oportunidades fazem dessas arrogantes tentativas de interferência em outros países (até mesmo com ameaças armadas),  Governo Federal, sob a coordenação da Polícia Federal, está dando, especialmente  com essa operação recente, que não há espaço para disputas estéreis e eleitoreiras, e que o que vale de fato é coragem e determinação para atuar de modo coordenado e solidário.

Embora os resultados do que nesta semana foi feito possam não aparecer de maneira volumosa, espantosa, estrondosa, o fato de que  nessa operação se contou com plena integração de entes federados (Governo Federal, Estados e Municípios, numa conjunção de esforços como há muito tempo não se via), constitui um sinal evidente de acerto, de um caminho próspero que está sendo trilhado no combate aos criminosos.

Tendo como ponto de partida a Operação Carbono Oculto, realizada em agosto de 2025 em São Paulo e outros seis Estados, e sequenciada em outras etapas operacionais, como a Operação Unha e Carne, que expôs as ramificações de perigosas e poderosas quadrilhas no Rio de Janeiro, essa ação de agora partiu de um relatório apontando a movimentação de mais de R$ 7,6 bilhões na manipulação, adulteração e lavagem de dinheiro em redes de postos de combustíveis. 

O Governo Federal, através da PF e da Receita Federal, já vinha há tempo apontando que os principais pontos de lavagem de dinheiro e da adulteração e contrabando de produtos vinha se processo dentro de grandes redes de distribuição de combustíveis. Mas sempre houve setores de grande influência política que obstaculizavam essa linha de investigação, sobretudo em São Paulo e no Rio de Janeiro. Sabe-se, agora, que muitos políticos com mandato no Rio, inclusive o ex-governador Cláudio Castro, estão ligados a essas organizações criminosas. 

Nessa mega-operação integrada, foram cumpridas ações em 16 dos 27 Estados brasileiros, sendo a maior operação pela extensão de território, com grande peso sobre o Estado do Rio.

Viu-se agora uma demonstração louvável de que a integração de forças entre os diversos entes federados é o meio mais eficaz de combater o crime organizado, pois só assim será possível enfrentar tropas marginais que crescem com dinheiro ilícito, com lavagem, adulteração e roubo e que se armam de modo exponencial, valendo-se do contrabando de armas pesadas, da facilitação que o governo passado fez para ingresso de armas e munições (ao derrubar legislação mais enérgicas que obstaculizavam o crime), da infiltração que instalam em organismos oficiais, do desvio de armas de Clubes de Tiro, dentre outros meios de  que se utilizam para lograr êxito em suas atividades delinquentes.

Com o crescente agravamento da segurança pública no país, mesmo que se saiba que, pela Constituição Federal de 1988, essa é uma questão primordialmente afeta aos Estados da Federação, é necessário que os governadores tenham a compreensão e a boa vontade de entender que sozinhos eles não têm força e capacidade operacional de combater de maneira satisfatória e adequada aos organizações criminosas, que são muitas, e atuam em diversas frentes, inclusive dentro de muitas setores da gestão pública.

Para combater o intercâmbio que organizações criminosas fazem entre si e, mais ainda, com quadrilhas internacionais de grande poder de fogo, é urgente que todos os governantes, como fizeram nesta quarta-feira, unam-se, dêem as mãos e as armas, pois só desse modo será possível vencer a bandidagem.

A Operação Força Integrada III, deflagrada neste  8 de julho ocorreu em 16 estados brasileiros e no Distrito Federal: Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e São Paulo.

*** As opiniões aqui contidas não expressam a opinião no Grupo Meio.
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