- Garimpo ilegal em terras indígenas cresceu 446% entre 2018 e 2022, segundo dados do Ibama.
- Redução de 41% nos desmatamentos associados ao garimpo nas últimas três anos, segundo Ibama.
- Desmantelamento de órgãos de fiscalização permitiu aumento da exploração ilegal de ouro.
- MPF identificou 5,8 milhões de visualizações de anúncios ilegais de garimpo em redes sociais.
- Garimpo ilegal foi estimulado por Bolsonaro, que prometeu legalizar a atividade em terras indígenas.
Uma realidade diferente do que o Brasil estava se acostumado a ver no terreno criminoso da extração de ouro, do garimpo ilegal, começa a aparecer de maneira salutar, através dos autos de infração produzidos pelo Ibama.
Desde 2018, o aumento de exploradores minerais em terras indígenas, sobretudo, cresceu de modo excepcional por toda a Amazônia, o que coincidiu, de maneira casada, com o desmantelamento que os Governos Temer e Jair Bolsonaro comandaram a partir do Palácio do Planalto, processo que se acelerou entre 2019 e 2022.
Combinando com a desestruturação dos órgãos de fiscalização, com redução drástica de funcionários e equipamentos, os governantes desse período afrouxaram as leis e assim permitiram a presença do garimpo ilegal, especialmente para a exploração e contrabando de ouro.
Num cruzamento de dados com base em documentos do Ibama, verifica-se atualmente que as referências ao garimpo ilegal em terras indígenas tiveram um aumento de 446%.
Isso significa que o organismo governamental passou a fazer a fiscalização necessária e agir sobre os garimpeiros ilegais, fazendo prisões de líderes e recolhendo, muitas vezes destruindo, embarcações, máquinas e aviões usados pelos criminosos.
Os garimpeiros ilegais ganharam muita grana e tiraram muito proveito desse período infame do recentíssimo passado brasileiro. Além do estímulo fornecido por Bolsanaro, o preço do ouro elevou-se bastante exatamente durante esses anos, proporcionando lucratividade a esses personagens. Só entre 2021 e 2022, o garimpo em terras indígenas cresceu 165% e cerca de 100% em áreas protegidas.
Bolsonaro estava querendo pagar a conta, pois havia uma promessa feita por ele a grupos de exploradores minerais, do Brasil e do exterior, de que sob seu governo haveria todo um comprometimento para tornar possível a legalização do garimpo.
A situação nessa etapa governamental entre 2018 e 2022 era de tão modo desastrosa, que um inquérito aberto pelo MPF detectou o uso sistemático de plataformas digitais e redes sociais, para a publicação de anúncios relacionados com o garimpo ilegal, com ofertas atraentes junto a investidores estrangeiros.
De uma só leva, foram identificadas 108 publicações, feitas em português, espanhol e inglês, com nada menos do que 5,8 milhões de visualizações.
Quando o Governo Lula conseguiu chegar ao poder em janeiro de 2023, a situação das terras indígenas era trágica, com seus ocupantes sendo expulsos, suas terras usurpadas e muitas mortes sendo registradas nesses territórios.
Os dados agora apresentados pelo Ibama dão conta de que nesses pouco mais de três anos já houve uma redução de 41% nos desmatamentos nas chamadas Áreas Desmatadas Associadas ao Garimpo.
Isso é uma boa notícia, mas ainda insuficiente para reparar os danos estúpidos que foram causados, sendo imprescindível aumentar de modo mais amplo a proteção aos povos indígenas, às suas terras e às valiosas riquezas do Brasil.