O presidente norte-americano Donald Trump demonstra a cada dia estar perdido num emaranhado de narrativas contraditórias que ele mesmo cria e propaga, o que claramente pode ser observado no seu primeiro pronunciamento em rede nacional de TV desde que a guerra no Oriente Médio começou.
Essa foi a primeira fala oficial de Trump desde 28 de fevereiro, depois de ele ter se rendido os apelos do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu e invadido o Irã, matando o chefe supremo daquele país, o aiatolá Ali Khamenei .
Trump afirmou nesse esperado discurso de ontem, que os objetivos dos EUA na guerra contra o Irã "estão perto de serem concluídos", mas na mesma fala emitiu mensagens contraditórias sobre o fim dos conflitos, não citando um possível cessar-fogo e prometendo manter os bombardeios ao país que dessa vez escolheu como inimigo, pelas "próximas duas ou três semanas".
Donald Trump demonstra que está perdido na iniciativa da guerra e na dondução que tem dado aos conflitos, vendo os preços do petróleo subirem de modo vertiginoso, como não se via desde os anos 90, e recebendo informações das pesquisas de opinião pública de que os níveis de desaprovação à forma como lida com essa questão estão batendo nos 61% a 64%.
A aprovação geral ao seu governo caiu de maneira geral, indicando queda na faixa dos 30% neste mês de abril, com a guerra apertando sua popularidade, porque os preços dos produtos, a desaceleração da economia e os sinais de inflação alta, batem no bolso e na cabeça dos norte-americanos.
Mesmo entre os mais apaixonados por Trump, a exemplo dos que integram a sua base mais aguerrida, o Maga (Make America Great Again), as pesquisas indicam que o apoio ao presidente caiu de 5 a 6 pontos percentuais. E entre os republicanos em geral, os índices de queda à provação de Trump chegam a mais de 10%. Isso tudo parece indicar, no convencimento interno dos norte-amerianos, que Trump está errado e precisa parar.
Mas um olhar mais atento às falas recentes de Trump não dá esperança de que os conflitos possam ser encerrados. No mesmo discurso contraditório da noite passada, Trump sugere que os EUA poderão atacar a infraestrutura energética do Irã caso o novo regime do país não busque um acordo com Washington. “Vamos atingi-los com extrema força nas próximas duas a três semanas”, disse o presidente.
Ora, não é a primeira vez que Donald Trump, contando lorotas sobre vitórias alcançadas, após sinalisar que estaria "satisfeito" com os resultados da guerra- o que poderia indicar a decisão de um cessar-fogo, volta a ameaçar. Com o detalhe significativo de que o Irã tem sempre sustentado que Trump até hoje não propôs nenhum acordo para acabar com os conflitos. Sinal de que o dirigente norte-ameriano está perdido no emanharado de suas próprias contradições.
Os norte-americanos, escaldados por antigos e estúpidos erros cometidos por seus dirigentes nesse terreno irracional de conflitos armados- como ocorreu na guerra que abriu e sustentou contra o Vietnã-, estão vendo agora que Donald Trump é incapaz de aprender com o passado, alimentando-se por uma característica pessoal do seu caráter, que é a da arrogância e da busca pela supremacia.
Se os danos gerados por essa guerra abominável no Oriente Médio não são suficientes para convencer Donald Trump a parar, seria conveniente que ele olhasse para os oito anos (1965 a 1973) que marcaram os EUA contra os vietnamitas, numa guerra absurda, sem nenhuma razão (se é que possa existir razão para guerras), na qual exatos 58.220 jovens soldados norte-americanos foram sacrificados com a própria vida. Isso não tem reparação, sobretudo para um país que se julga a Maior Democracia do Planeta, uma espécie de salvador do mundo.