Num cenário de enormes incertezas e insegurança na produção e abastecimento de combustíveis no mundo, agravado pelas consequências dos conflitos armados que se instalaram no Orientre Médio, quando os preços do petróleo começam a disparar, a brasileira Petrobrás revelou seu balanço de 2025, registrando um lucro de R$ 110,1 bilhões, representando um crescimento de 201% em relação ao ano de 2024.
O ano anterior, é bom entender, havia sido fortemente impactado por efeitos contábeis da desvalorização do real.
Com esse resultado apresentado, os acionistas da companhia terão mais R$ 8,1 bilhões a seu favor, totalizando a distribuição de volume de R$ 41,2 bilhões aos seus investidores correspondendo a 2025. Registra-se aqui que a Petrrobras bateu recorde de produção e exportações, com 3 milhões de barris de petróleo e gás produzidos e 765 mil barris de petróleo exportados por dia, um grande volume de vendas que compensou a queda de 14,5% no preço do petróleo entre 2024 e 2025.
Esses indicativos são muitíssimos importantes não apenas por essa performance vitoriosa que a empresa vem agora apresentado, mas porque a Petrobras sofreu duros ataques financeiros, operacionais e de imagem a partir do ano de 2014, quando foi colocada no centro de um debate público sobre corrupção que existiria nas relações de negócios da empresa. Isso ocorreu no meio de uma acirrda disputa pelos recursos do pré-sal, uma veradeira mina de ouro que a própria estatal descobriu e começa a explorar, gerando interesses internacionais de grande envergadura.
Foi nesse ambiente que surgiu a operação denominada Lava Jato, encabeçada pelo juiz federal Sérgio Moro, sediada em uma vara de Curitiba, no Paraná, que atuou de maneira destrutiva sobre a Petrobras, trazendo um custo gigantesco às operações da companhia, sua comercialização no exterior, sua imagem em todas as partes do mundo, fazendo desaparecerem nada menos do que 4,4 milhões de emprgos entre 2014 e 2017, fazendo ainda rebaixar o PIB do Brasil, nesse período, em 3,6%. Empresas que prestavam serviços à Petrobrás, girando sua economia em torno dela, perderam mais de 85% de suas receitas. Só o Estado do Rio de Janeiro, conforme estudo da UFRJ e da Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) perdeu, em sonquência o valor estimado de R$ 142 bilhões nos setores da construção civil, indústria naval, engenhria pesada e indústria metalmecânica.
Com a destruição de postos de trabalho, a massa salarial caiu R$ 85,4 bilhões de 2014 a 2017. Uma economia que emprega, investe e produz menos paga menos impostos.
No período analisado, o governo deixou de arrecadar R$ 47,4 bilhões em tributos e R$ 20,3 bilhões em contribuições para a Previdência Social e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Mas as ações contra a Petrobras não se encerrariam com redução nos trabalhos da Lava Jato. Com a queda de Dilma e a posse de seu vice-, Michael Temer, na Presidência do Brasil, e depois com a eleição e posse de Bolsonaro, o ímpeto destruidor teve sequência . Um levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Soioeconômicos (DIEESE) mostra que entre 2019 e fevereiro de 2022, foram vendidos 62 ativos da Petrobrás, no valor de US$ 33,9 bilhões, envolvendo diferentes setores de atuação da empresa.
Nesse mesmo período, foram feitos 74 anúncios de venda, em média dois ativos anunciados por mês, o maior índice de desmonte da história.
A pesquisa do DIEESE mostra que a Petrobras chegou em 2022 tendo concluído a venda de 93 ativos, sendo 79 no Brasil e 14 no exterior.
No meio dessa sanha entreguista, registra-se a venda de ativos emblemáticos da estatal, a exemplo da Refinaria Landulpho Alves, na Bahia, que foi a primeira refinaria instalada no país , e que o governo Bolsonaro entregou aos Emirados Árabes, em 2021, pelo insignificante valor de US$ 1,65 bilhão, uma quantia enormemente defasada, que o próprio Tribunal de Congtas da União considerou abaixo das expectativas reais de mercado. A venda teria representado apenas 40% do valor avaliado.
Neste momento, a Petrobrás avança para recuperar seus ativos, seu desempenho e sua imagem. Vem aumentando ano a ano a produção de derivados e elevando a capacidade de produção do diesel em 20%. Está expandindo a Refinaria Abreu e LIma, em Pernambuco, que se encontrava há anos paralisada. E está invetindo fortemente na recuperação dos complexos das bacias de Santos e Campos. Além disso, retoma negociações para ter de volta a Refinaria de Mataripe, hoje nas mãos do Fundo árabe Mubadala.