- Campanha eleitoral começa dia 28 com propaganda gratuita no rádio e TV, mecanismo introduzido em 1962.
- Programação eleitoral, embora criticada, contribui para informar eleitores sobre propostas e candidatos.
- Parábola do "joio e do trigo" é usada para ilustrar a necessidade de discernimento entre verdade e mentira.
- Televisão ainda é o principal meio de informação política, superando redes sociais em 4% dos eleitores.
- Propaganda eleitoral gratuita é vista como ferramenta para evitar desastres e promover escolhas conscientes.
Foi dada a largada da campanha e começa dia 28 a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, um mecanismo que foi introduzido ainda no ano de 1962 (64 anos, portanto) como um modelo capaz de ajudar o eleitor brasileiro no seu esclarecimento e na consequente melhor escolha de seus candidatos aos diversos cargos eletivos.
Embora muitos não gostem, achem "chatos" os programas, que atrapalham o cotidiano nas suas livres opções por outros conteúdos, mexam com seus horários de novelas e outros deleites, o fato que é passadas mais de seis décadas, a programação gratuita no rádio e TV, em dois horários, inicialmente com duas horas por dia de duração, segue cumprindo seu papel.
E sim, vêm contribuindo para que eleitores que se dediquem a ver o que os candidatos mostrem, ou até mesmo deixem de mostrar, fiquem mais bem informados e possam fazer escolhas mais conscientres. Nem sempre as escolhas finais são acertadas e merecedoras desses votos, pois há candidatos que enganam, mentem, apresentam propostas que nunca honrarão.
E como a política brasileira foi literalmente tomada por ideologias religiosas avassaladoras, dominantes em muitos aspectos, pouco interessando as questões essenciais que afetam a vida das pessoas, o que deu lugar a uma pregação crescente sobre costumes, Deus, pátria e liberdadade, nada mais adequado de que trazer para este momento da estreia da programação de rádio e tv, que dá largada final à capanha, uma parábola contada por Jesus no Evangelho de Mateus, no Novo Testamento.
Trata-se da parábola I que criou e mantém até hoje a expressão "separar o joio do trigo", que se referia a um homem que plantara trigo em seu campo, e durante a noite veio o inimigo e plantou joio, uma planta daninha que, depois de crescida, parecia muito com o trigo, fazendo mesmo a confundir.
E a conclusão da parábola era de que se deveria deixar crescerem o trigo e o joio ao mesmo tempo, para só no fim de tudo poder ser separado, o trigo sendo aproveitado e o joio descartado, jogado fora.
Pois penso que essa parábola nos remete ao rádio e à televisão neste momento eleitoral, para permitir que o eleitor, vendo o "trigo" e o "joio" que os candidatos trarão para mostrar aos eleitores como meios de convencimento, possam dar a esses eleitores a dimensão exata do que é bom e o que é ruim, do que é verdade e do que é mentira, do real e do falso, enganoso, cruel e prejudicial a todos.
Possa o eleitor identificar- dentro das falácias e dos planos mirabolantes que os candidatos estão trazendo para captar os seus votos-, concluindo com maior serenidade quem mente e quem diz a verdade, quem demonstra convicção nas suas falas, nas suas propostas, ou quem simplesmente está enganando, usando de artifícios, como a religião, por exemplo, apenas no interesse de favorecer-se, com o voto e outros tipos de ganhos, deixando à margem, no fosso e no lixo, os legítimos interesses dos cidadãos e cidadãs por esse Brasil afora.
A parábola do “ joio e do trigo” deve servir também para nos dizer a que vem de fato o papel de fiscalizador do TSE, se está tecnicamente preparado, isento e enérgico no aspecto ético, para impedir que nesses programas a mentira, a falsidade e a pregação de ódio prevaleçam sobre o bem desejado e merecido pelo eleitor.
Neste quadro, há uma questão relevante a se pensar com bastante atenção. Uma pesquisa recente, que tenta capturar os diversos aspectos das eleições de 2026 no Brasil, 39% dos entrevistados apontam as redes sociais como sua principal fonte de conhecimento. Mas o universo das pessoas que revelam que a televisão é seu mais importante meio de informação política é de 35%, uma enormidade para quem achava que as redes sociais decidiam tudo.
Não é assim.
A televisão, apesar dos avanços notáveis das redes sociais, segue como o mais importante meio de comunicação incorporado à vida das pessoas.
E aqui vai outro detalhe significativo e definidor: as redes sociais são pulverizadas e não cuidam, por exemplo, de aglutinar em espaços únicos propostas e ideais trazidas por candidatos, o que só a televisão de fato faz, com os programas de Propaganda Eleitoral Gratuita incorporados às suas programações.
Então, finalmente, o eleitor tem a televisão e o rádio como os meios mais eficazes para buscar optar entre escolher as boas propostas e os compromissos verdadeiros que os candidatos vierem mostrar.
Daí a importância de ficarem todos mais atentos ao que vai se passar, nesses 40 dias, no rádio e na televisão, para que se evitem os desastres eleitorais e se volte a colocar o Brasil novamente em risco.