- Estado de São Paulo registra 38% de aumento em suicídios e tentativas de crianças e adolescentes em 2026.
- Estudo do NOAD revela 84 tentativas e 50 mortes em 2026, contra 97 tentativas e 33 mortes em 2025.
- Transmissão ao vivo de conteúdo violento no Discord levou à morte de adolescente em Mato Grosso do Sul.
- Plataformas digitais são acusadas de estimular automutilação e comportamentos autodestrutivos entre jovens.
- Lei 15.211/2025 cria mecanismos de proteção e apoio a crianças e adolescentes em risco.
O Estado de São Paulo registrou um avanço de 38% no número de suicídios e tentativas praticados por crianças e adolescentes, uma tragédia impulsionada pela internet, suas redes sociais e plataformas digitais.
Esse índice consta de um estudo realizado no periodo de janeiro a junho de 2026, comparado a igual etapa de 2025.
Pelo estudo desenvolvido pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (NOAD), da Polícia Civil de São Paulo, foram analisados 134 casos nos primeiros seis meses de 2026, com 84 tentativas de suicídio e 50 mortes, contra 97 tentativas e 33 mortes em período igual de 2025.
Entre as 84 tentativas registradas neste ano, 62 envolveram meninas e 22, meninos. Nos casos de mortes, a lógica se inverte: eles são 28 casos, e elas, 22. O levantamento tem como base os boletins de ocorrência registrados por familiares e advogados nos dois períodos verificados.
Esse é o primeiro estudo nesse terreno feito pelo NOAD, não havendo referências ou dados sobre anos anteriores.
E o gatilho para que esse trabalho fosse disparado, foi a ocorrência anunciada em 22 de julho deste ano, no Mato Grosso do Sul, quando uma adolescente estava se automotilando em uma tansmissão ao vivo por canais de internet.
Nesse caso, quando os investigadores conseguiram ligar para os pais dela, já passava das 6 hotras da manhã, e a menina de 13 anos já estava morta.
Esse acontecimento bárbaro gerou uma comoção entre famílias brasileiras, numa revolta justificada pela permissividade e perversidade dentro das redes sociais e plataformas de internet, levando a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), do Governo Federal, a suspender as transmissões ao vivo (as lives) e o compartilhamento de vídeos do Discord no Brasil, em agosto de 2026, por ter sido essa plataforma que transmitiu as sequências violentas das transmissões que induziram à morte.
A forma de exposição, o conteúdo das imagens relavadas aos adolescentes, e a indução para que cometam mutilações e cheguem mesmo à morte, como aconteceu com essa garota do Mato Grosso do Sul, são elementos presentes nas práticas dos transmissores desses crimes, com episódios de mutilações, aliciamento, coerção e chantagem praticados e estimulados dentro de ambientes digtitais. Tudo constituindo crime, e mais do que isso, uma desumanidade pavorosa.
De acorco com a Polícia Civil de São Paulo, foi identificado que parte dos casos acontece a partir de grupos fechados online, nos quais crianças e adolescentes compartilham conteúdos sobre cortes, automutilação ou morte, invariavelmente pressionados a repetir esses gestos de comportamento. Esses grupos funcionam em ambientes digitais restritos, como servidores, salas de conversa e comunidades privadas.
Ainda segundo a PC paulista apresenta no seu estudo, pessoas que participam dessas comunidades costumam se aproximar de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidde, criando a partir daí vínculos, e depois passando a pressionar para que elas pratiquem atos de autolesão ou cumpram desafios apresentados pelos condutores, como se fosse uma demonstração de que elas têm prestígio dentro desses grupos.
Essas exigências podem ser acompanhadas de ameaças, chantagens ou exposição de informações de natureza pessoal. Casos como a prática de automutilação são apresentados como prova de lealdade ou forma de conquistar reconhecimento dentro do grupo. Esse tipo de práticas foi constatado no caso fatal do Mato Grosso do Sul.
Uma das constatações do estudo desenvolvido agora e comparado a 2025, é de que as vítimas que chegaram ao suicídio já apresentavam sinais anteriores das práticas de automutilação.
Uma das verificações preocupantes dessa grave situação, no que diz respeito aos perfis de vítimas, trata do do sentido de pertencimento que os adolescentes procuram e que muitas vezes não encontram dentro da família. Quando, lá fora, surge alguém que se apresenta como disposta a ouvi-la e ajudar nas suas angústias, dúvidas, insegurança, e falta de sentido para o que passam na vida, terminam virando presas fáceis nas mãos de pessoas do mal, capazes de levá-los à própria autodestruição.
Além da atenção de autoridades governamentais, que têm se voltado de maneira mais intensa e organizada para esses distúrbios e descaminhos da adolescência, a exemplo da sanção da Lei 15.211/2025, pelo Presidente Lula, que entrou em vigor em março de 2026 e estabeleceu o ECA Digital (Estatudo da Criança e do Adolescente), existem vários organismos dedicados à atenção específica a crianças e adolescentes, dispostas e preparadas para protege-los.
Exemplos, são o chat CVV, disponível 24 horas, e o número 188 (também 24 horas), com ligação gratuita por qualquer meio telefônico, sempre com uma cabeça amiga e disponível para atenta para ouvir e orientar, sempre interferindo para o bem.