- Presidentes Lula e Trump se reúnem em Washington para discutir exploração de terras raras.
- Brasil tem 23% das reservas mundiais de terras raras, mas apenas 1% é beneficiada.
- O Governo Lula cria a "Terrabras" para explorar e refinar minerais críticos.
- Os EUA buscam parceria com o Brasil para reduzir dependência da China em terras raras.
A questão das terras raras e minerais críticos vai estar no centro da agenda que os Presidentes Lula, do Brasil, e Donad Trump, dos Estados Unidos, tratarão nesta quinta-feira, durante o encontro que terão em Washington.
A reunião foi anunciada nesta semana, depois de ter sido programada para o mês de março e transferida em razão de problemas que surgiram no percurso, sobretudo em virtude da guerra dos EUA e Israel contra o Irã e outros países do Oriente Médio.
Tratar da exploração e beneficiamento desses minerais imprescindíveis à moderna indústria tecnológica, virou assunto indispensável, pois interessa de perto aos dois países. Aos Estados Unidos, que a cada dia tem mais necessidade de por as mãos sobre os diversos elementos químicos que minerais críticos e terras raras fornecem à fabricação de tecnologias de ponta, energia limpa e defesa.
Quanto ao Brasil, a importância reside em possuir reservas significativas desses elementos - ao contrário dos Estados Unidos-, mas não deter o domínio sobre o beneficiamento, necessitando, assim, de parcerias com outros países que já tenham avançado no domínio de tecnologias de beneficiamento, passando a beneficiá-los, deixando de ser mero exportador de minerais brutos.
O Brasil detém cerca de 23% das reservas mundiais de terras raras, colocando-se como a segunda maior em todo o mundo, mas a sua produção, ou seja, o beneficiamento que faz desses elementos, não chega nem a 1%, engatinhando na exploração. Disso resulta uma enorme concentração na exportação de matéria-prima, sem qualquer domínio de tecnologia de refino, deixando de gerar valor agregado, o que representa enorme prejuízo ao país.
Importante lembrar que esses 23% de terras raras que o Brasil apresenta no mundo diz respeito aos locais em que a presença desses minerais foi confirmada oficialmente, mas esse volume pode crescer de modo expressivo quando o país tiver as condições técnicas, através de seus órgãos governamentais, de mapear todo o país, o que é uma constatação considerada como real.
A importância desse tema é de tal modo relevante, que o Governo Lula está trabalhando para criar a "Terrabras", uma estatal focada na exploração, pesquisa e refino de terras raras e minerais críticos, visando reduzir a influência da China, que hoje domina a exploração e o refino.
O projeto busca incentivar o processamento local, com um fundo garantidor de até R$ 5 bilhões para atrair investimentos e impulsionar a cadeia produtiva.
Independentemente dos esforços locais para avançar nesse terreno promissor, considera-se ser estratégico manter aliança com outros países e com investidores externos capazes de contribuir para que o Brasil passe a ter melhor desempenho na exploração de terras raras e minerais críticos. É inadiável a decisão de fazer o refino em terras brasileiras, agregando valor de modo elevado.
Os Estados Unidos podem ser de fato um parceiro expressivo nessa causa. A linguagem parece ser uma só: o Brasil possui os elementos de que os norte-americanos precisam e por eles vêm buscando. Os EUA olham para os elementos que terras raras e minerais críticos fornecem, com foco na segurança nacional e na indústria de alta tecnologia.
E enxergam aqui a presença de 21 milhões de toneladas de terras raras, a presença de 94% das reservas mundiais de nióbio, 26% de grafita e monumentais reservas de níquel, cobre e lítio, tudo que não pode faltar aos amercianos na sua eterna competição com a China.
E Donald Trump sabe muito bem que a China avançou tecnologicamente de tal modo que hoje controla 70% da extração e 90% do refino global de terras raras, dominando uma lista enorme de minerais estratégicos e raros, incluindo cobalto, cobre, estanho, grafita, lítio, nióbio, níquel, titânia e outros elementos.
Conclui-se desta realidade que Donald Trump- por mais inusitados que sejam os seus rompantes perante o mundo-, terá a percepção de que essa é uma notável oportunidade de aproveitar os vínculos históricos de seu país com o Brasil e, passando uma esponja nas asneiras plantadas, resolver ter essas riquezas brasileiras na proteleira de grandes negócios e largas vantagens para os EUA.