CPI do golpe ouve ex-subsecretária de Inteligência e PM; veja quem já depôs

O pedido para ouvir esses depoimentos foi feito por diversos parlamentares, incluindo deputados e senadores de diferentes partidos.

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Funcionários recolhem vidros quebrados na Câmara no dia seguinte à invasão | Bruno Spada/Agência Câmara

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro prossegue com suas audiências, agora ouvindo a ex-subsecretária de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, Marília Ferreira Alencar, que ocupava o cargo durante os ataques às sedes dos Três Poderes em Brasília. Também está previsto o depoimento da cabo da Polícia Militar do DF, Marcela da Silva Morais Pinno, que atuou no Batalhão de Choque durante a invasão.

As sessões de depoimento estão agendadas para as 9 horas, no plenário 2 da ala Nilo Coelho, no Senado.

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A senadora Eliziane Gama (PSD-MA), relatora da CPMI, espera que o testemunho da ex-subsecretária, dada a sua posição, possa fornecer informações significativas à comissão.

O pedido para ouvir esses depoimentos foi feito por diversos parlamentares, incluindo deputados e senadores de diferentes partidos.

Intervenção 

No mesmo dia da invasão, o presidente Lula decretou intervenção na segurança pública do Distrito Federal, medida que foi aprovada pela Câmara dos Deputados no dia seguinte. A intervenção resultou na exoneração de nove agentes de segurança, incluindo Marília Ferreira de Alencar, que ocupava um cargo na secretaria.

De acordo com Carlos Sampaio e Izalci Lucas, a Polícia Militar do Distrito Federal não tinha um plano operacional adequado para lidar com os eventos de 8 de janeiro, apesar dos alertas da Inteligência da Polícia Federal.

 Eduardo Girão destacou que Marília, como responsável pela área de Inteligência da Segurança Pública do DF, tinha acesso a informações dos relatórios de inteligência do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin), o que deveria tê-la habilitado a orientar o setor operacional da secretaria na elaboração de planos de ação mais eficazes.

Ato de Bravura 

A cabo Marcela Pinno, que atuou na linha de frente durante a invasão, e outro colega foram arremessados da cúpula do Congresso Nacional por manifestantes, sofrendo agressões. Em maio, ambos foram promovidos pelo governo do Distrito Federal em reconhecimento a atos de bravura.

O depoimento de Marcela é considerado crucial para esclarecer os detalhes da dinâmica dos eventos do dia 8 de janeiro, a abordagem dos invasores, possíveis instigadores e a organização por trás dos tumultos.

Próxima Audiência 

A CPMI tem outra audiência marcada para quinta-feira (14), quando pretende ouvir o general Gustavo Henrique Dutra de Menezes, ex-chefe do Comando Militar do Planalto e um dos investigados pelo Ministério Público Militar no inquérito que analisa possíveis negligências ou omissões nas invasões de janeiro.

Deputados Delegado Ramagem e Pr. Marco Feliciano explicam que o Comando Militar do Planalto é responsável pela segurança presidencial e pela Guarda Militar da sede da Presidência da República.

Deputados Duarte Jr. e Duda Salabert querem que o general Dutra explique as ações ou falta delas que permitiram a permanência de manifestantes em área militar, defendendo atos inconstitucionais e incitando a ruptura do Estado Democrático de Direito.

Testemunhas Anteriores 

A CPMI já ouviu diversas testemunhas em suas audiências anteriores. Jorge Eduardo Naime, ex-chefe do Departamento Operacional da Polícia Militar do Distrito Federal, relatou que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) havia alertado sobre o risco de ataques, mas o núcleo de inteligência da PM não teve acesso a esses alertas.

Outros depoimentos incluíram o empresário George Washington Sousa, o diretor do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado da Polícia Civil do DF, Leonardo de Castro, e peritos da Polícia Civil do DF, Renato Carrijo e Valdir Pires Filho.

O ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, negou que a instituição tenha atuado politicamente para favorecer o então candidato Jair Bolsonaro. O coronel Jean Lawand Júnior explicou mensagens trocadas com o tenente-coronel Mauro Cid, mas negou que tivessem teor golpista.

O hacker Walter Delgatti Neto alegou que Bolsonaro lhe prometeu indulto em troca de assumir um suposto grampo do ministro do STF, Alexandre de Moraes, e invadir urnas eletrônicas. No entanto, ele permaneceu em silêncio quando questionado por parlamentares da oposição.

O sargento Luis Marcos dos Reis negou participação em atos golpistas e se recusou a discutir acusações de alteração de dados em cartões de vacinação. O ex-comandante da PMDF, Fábio Augusto Vieira, não prestou depoimento, alegando habeas corpus.

Na audiência mais recente, o ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Gonçalves Dias, afirmou que a PM do Distrito Federal não seguiu o planejamento de segurança contra as manifestações e descreveu o episódio como um levante antidemocrático. A oposição pediu a prisão preventiva do general.

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