- Defesa de Flávio Bolsonaro afirma que vídeo com IA não é pedido de voto de Jair Bolsonaro.
- Vídeo exibido em convenção do PL simula pronunciamento de Bolsonaro em prisão domiciliar.
- Advogados destacam que conteúdo foi identificado como criação de inteligência artificial.
- Evento foi fechado, com público específico, e não direcionado ao eleitorado geral.
- Defesa compara uso da IA a recursos gráficos comuns em campanhas eleitorais.
A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, afirmou que o vídeo gerado por Inteligência Artificial (IA) e exibido durante a convenção nacional do Partido Liberal, realizada no último sábado (25), não configura um pedido de voto do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Durante o evento, em São Paulo, foi apresentado um vídeo produzido com tecnologia de IA que simula um pronunciamento de Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar em Brasília.
Na gravação, o ex-presidente diz estar "preso e calado por uma decisão arbitrária", afirma que "nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança" despertado por seu movimento e pede que os apoiadores recebam Flávio Bolsonaro "de braços abertos" como candidato ao Palácio do Planalto.
Segundo os advogados do senador, a utilização do conteúdo não desrespeitou a legislação eleitoral, pois o público foi previamente informado de que se tratava de um vídeo criado por Inteligência Artificial, sem qualquer tentativa de apresentar a peça como uma transmissão ao vivo ou uma gravação autêntica de Jair Bolsonaro.
A defesa sustentou ainda que o vídeo não se enquadra no conceito de "deepfake" e o comparou ao uso de máscaras e bonecos de papel, isto é, recursos gráficos amplamente usados em campanhas eleitorais. Deepfake é um tipo conteúdo criado ou manipulado por inteligência artificial para simular falas, imagens ou vídeos de uma pessoa com aparência de autenticidade.
Segundo os advogados, não houve tentativa de enganar o público, manipulação de fatos ou ocultação do uso da tecnologia, já que a gravação informava expressamente que a imagem e a voz de Bolsonaro haviam sido recriadas por inteligência artificial.
Outro ponto citado pela defesa é que o evento foi fechado, submetido a prévio cadastramento, direcionado a um público específico e determinado (filiados, delegados, convidados), e não ao eleitorado em geral.
"Houve apenas a criação de um boneco tecnológico, tudo com as devidas tarjas e anúncios, sem qualquer falseamento ou induzimento em erro, com o apelo que nem de longe sequer tangencia o pedido explícito de voto, de que os convencionais “recebam de braços abertos a pessoa que escolhi para me substituir", menciona um dos trechos do documento.