- Eduarda Campopiano, de 23 anos, eleita deputada estadual por São Paulo com mais de 1,9 milhão de votos.
- Defende pautas conservadoras, incluindo antifeminismo e rejeição à criminalização da misoginia.
- Afirmou que o feminicídio "não existe" e que casos de assassinato de mulheres devem ser tratados como crimes passionais.
- Contrária ao aborto, à prostituição como profissão e a políticas de cotas raciais.
- Eleita vereadora de Praia Grande em 2024, com 3.583 votos, e agora representa São Paulo na Alesp.
Eduarda Campopiano (PL), de 23 anos, eleita deputada estadual por São Paulo com 1.956.238 votos, chega à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) defendendo pautas conservadoras e se posicionando contra o feminismo. Entre as declarações que tiveram maior repercussão está a afirmação de que o feminicídio “não existe”.
A parlamentar foi a candidata a deputada estadual mais votada do estado nas eleições de domingo (4). A votação foi a segunda maior já registrada para uma cadeira na Alesp, ficando atrás apenas dos mais de 2 milhões de votos recebidos por Janaína Paschoal em 2018.
A trajetória política de Campopiano ganhou projeção rapidamente. Em 2024, ela foi eleita vereadora de Praia Grande, no litoral paulista, com 3.583 votos. Dois anos depois, ampliou significativamente sua votação e conquistou uma cadeira na Assembleia.
“Eu não acho que feminicídio seja algo que exista
A posição de Campopiano sobre o feminicídio foi apresentada durante um debate com a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL), quando as duas discutiam uma proposta relacionada à criminalização da misoginia.
“Eu não acho que feminicídio seja algo que exista”, afirmou a então vereadora.
Campopiano defende que casos de assassinatos de mulheres sejam tratados como crimes passionais e afirma ser favorável à aplicação de agravantes quando um homem utiliza sua superioridade física para agredir uma mulher. Ela, porém, defende que esse tipo de regra também seja aplicado em outras situações.
No Brasil, o feminicídio é previsto na legislação como uma forma de homicídio praticado contra mulheres em situações relacionadas à violência doméstica e familiar ou ao menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
Deputada se declara antifeminista
O antifeminismo é uma das principais bandeiras políticas de Campopiano. Durante debates e manifestações públicas, ela já afirmou ser “a maior inimiga das feministas de São Paulo”.
“Sou antifeminista. E não vou dar para trás”, declarou em uma ocasião.
Em outra manifestação, afirmou: “Sou do PL, sou uma mulher conservadora, antifeminista”.
Após a eleição, Campopiano disse à Folha de S.Paulo que pretende manter essa posição durante o mandato na Alesp. “A guerra tá só começando”, afirmou ao comentar a atuação política que pretende desenvolver contra parlamentares e pautas ligadas ao feminismo.
A deputada eleita também rejeita a ideia de que conquistas alcançadas por mulheres devam ser atribuídas ao movimento feminista. Segundo ela, o mérito pelas conquistas deve ser considerado individual.
Aborto e outras pautas
O aborto também está entre os temas defendidos por Campopiano. A deputada eleita afirma ser contrária à interrupção da gravidez e defende a vida desde a concepção.
Ela também se posiciona contra a criminalização da misoginia e afirma que pretende combater propostas que considera relacionadas ao movimento feminista.
Outra pauta defendida pela parlamentar é o acesso de mulheres a armas de fogo como forma de proteção. Segundo Campopiano, mulheres armadas poderiam ter melhores condições de se defender em situações de violência doméstica e urbana.
Ela também é contrária ao reconhecimento da prostituição como profissão e se posiciona contra políticas de cotas raciais.
Da internet à Assembleia Legislativa
Nascida em Campinas, em 22 de julho de 2003, Maria Eduarda Campopiano Monteiro começou a produzir conteúdo político nas redes sociais aos 18 anos.
Antes de entrar para a política, participou de programas de debate e integrou equipes de comentaristas. Em 2024, foi eleita vereadora de Praia Grande, aos 21 anos.
Sua projeção ocorreu principalmente por meio das redes sociais, com conteúdos voltados ao público conservador e temas como feminismo, aborto, gênero, segurança pública e costumes.
Em dois anos, Campopiano passou de 3.583 votos na eleição para vereadora a 1.956.238 votos na disputa pela Alesp.