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Descumprimento do veto às bets pode gerar multa de até 10% do faturamento

MP prevê advertência, multas, suspensão e até proibição de atividades para plataformas que mantiverem conteúdos ou serviços de apostas

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  • Governo publica medida provisória que proíbe apostas de quota fixa no Brasil, incluindo bets e cassinos virtuais.
  • Empresas devem retirar conteúdos e anúncios relacionados às apostas proibidas após notificação de autoridades.
  • Punições incluem multas, suspensão de atividades e até proibição de funcionamento para descumprimento da regra.
  • Ministério da Fazenda e da Justiça podem bloquear sites que continuem oferecendo apostas proibidas.
  • Projeto de lei prevê criminalização da exploração de apostas de quota fixa após a proibição.
Bets: veja as punições para empresas que descumprirem proibição | Foto: Reprodução
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O governo federal publicou nesta sexta-feira (25) uma medida provisória que proíbe as apostas de quota fixa no Brasil, incluindo as chamadas bets, jogos online e cassinos virtuais, como o “Jogo do Tigrinho”. A nova regra também estabelece punições para provedores de internet, plataformas digitais, lojas de aplicativos e sistemas operacionais que não adotarem medidas para retirar do ar conteúdos, anúncios e serviços relacionados às apostas proibidas. As empresas poderão receber advertência, multas, suspensão temporária das atividades e até proibição de funcionamento, conforme a gravidade e a reincidência da infração.

Empresas terão que retirar conteúdos

A medida provisória cria um chamado “dever de cuidado” para os provedores de aplicações de internet. Na prática, as empresas responsáveis por redes sociais, plataformas digitais, mecanismos de distribuição de conteúdo e outros serviços online deverão adotar medidas para impedir a circulação de materiais relacionados às apostas proibidas.

As empresas também deverão retirar publicações e anúncios considerados irregulares depois de serem notificadas por autoridades do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor ou pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

A regra também vale para lojas de aplicativos e sistemas operacionais, que deverão impedir a disponibilização de aplicativos ou serviços enquadrados na proibição.

Caso sejam notificadas pelo governo, essas empresas terão de retirar os produtos ou serviços do ar.

Veja quais são as punições

O descumprimento das regras poderá resultar em sanções aplicadas pelo Ministério da Justiça, que poderá determinar as medidas de maneira isolada ou cumulativa.

Entre as punições previstas estão:

  • Advertência, com prazo para correção da irregularidade;
  • Multa de até 10% do faturamento do grupo econômico no Brasil no último exercício;
  • Multa diária enquanto a infração continuar;
  • Suspensão temporária das atividades;
  • Proibição do exercício das atividades.

Quando a empresa não tiver faturamento registrado, a multa poderá variar entre R$ 10 e R$ 1.000 por usuário cadastrado, com limite de R$ 50 milhões por infração.

Para definir qual punição será aplicada, poderão ser considerados fatores como a gravidade da infração, o número de usuários afetados, eventual vantagem econômica obtida, a situação financeira da empresa, reincidência e colaboração com as autoridades.

As medidas mais severas, como a suspensão ou a proibição das atividades, ficam previstas para situações de reincidência ou descumprimentos repetidos após advertências ou multas.

Sites poderão ser bloqueados

A proibição também prevê mecanismos para impedir o acesso a páginas que continuem oferecendo apostas enquadradas na nova regra.

O Ministério da Fazenda e o Ministério da Justiça e Segurança Pública poderão determinar o bloqueio ou redirecionamento de páginas na internet que ofertem os serviços proibidos.

A execução dessas determinações ficará a cargo da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que deverá repassar as ordens às empresas responsáveis pelo fornecimento de conexão à internet e a outros agentes envolvidos no acesso aos conteúdos.

Quando as bets sairão do ar?

A proibição estabelece um cronograma para o encerramento das operações.

Novos depósitos ficam proibidos imediatamente com a publicação da medida. Os apostadores terão até 5 de outubro para retirar os valores que estiverem mantidos nas plataformas.

A partir de 6 de outubro, os sites e aplicativos deverão deixar de oferecer as apostas.

O governo também informou que pretende reforçar a fiscalização para impedir que as plataformas continuem funcionando depois da entrada em vigor da proibição.

Criminalização ainda depende do Congresso

Além da medida provisória, o governo enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei que prevê a criminalização da exploração, operação e divulgação de apostas de quota fixa depois da proibição.

A proposta ainda precisa ser analisada e aprovada pelos parlamentares e, posteriormente, sancionada pelo presidente da República.

Pelo projeto, explorar ou operar apostas de quota fixa poderá resultar em reclusão de quatro a seis anos, além de multa. A proposta prevê a mesma faixa de punição para quem oferecer, receber, registrar, intermediar, disponibilizar ou administrar canais e estabelecimentos de apostas.

Se o texto for aprovado, a pena poderá aumentar em um terço quando a aposta envolver evento virtual de jogo online, como os cassinos virtuais.

Setor contesta proibição

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e operadoras licenciadas se manifestaram contra a proibição.

As entidades afirmam que o fim das bets legalizadas não acabaria com as apostas e poderia levar usuários para sites clandestinos, sem os mesmos mecanismos de fiscalização e proteção.

Segundo o setor, as plataformas legalizadas funcionam sob autorização e fiscalização do governo desde janeiro de 2025 e possuem mecanismos como verificação de idade e CPF, autoexclusão, políticas de saúde mental e restrições a beneficiários de programas sociais.

As entidades afirmaram ainda que estão “adotando as providências cabíveis para reverter a Medida Provisória” e que pretendem levar a questão à Justiça.

Segundo a manifestação do setor, 31 milhões de pessoas utilizam plataformas legalizadas no país.

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