- Eduarda Campopiano (PL) foi denunciada por transfobia e violência política de gênero contra Erika Hilton (PSOL).
- Denúncia foi feita por Sofia Favero (PSOL) ao Grupo Especial do MPSP por postagem transfóbica.
- Postagem de Campopiano comparou votação de Hilton a um "homem biológico", classificada como transfóbica.
- Representação pede investigação e responsabilização por injúria transfóbica e violência de gênero.
- Erika Hilton foi reeleita com 1.596.472 votos, maior número obtido por mulher na Câmara dos Deputados.
A deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL) foi denunciada ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) por transfobia e violência política de gênero contra a deputada federal reeleita Erika Hilton (PSOL). A representação foi apresentada pela também deputada estadual eleita Sofia Favero (PSOL) ao Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância do MPSP.
A medida ocorreu após uma publicação feita por Campopiano nas redes sociais na segunda-feira (5), na qual ela se referiu a Erika Hilton como “homem biológico” ao comparar a votação obtida pelas duas nas eleições de domingo (4). A publicação foi classificada como transfóbica por parlamentares e veículos que repercutiram o episódio.
Na postagem, Campopiano escreveu:
“Oi, @ErikakHilton. Como é saber que um homem biológico nunca vai ocupar o espaço da mulher mais votada de São Paulo? Rs”. A declaração ocorreu após a divulgação dos resultados eleitorais.
Representação pede investigação
Segundo a representação apresentada por Sofia Favero, o episódio pode configurar transfobia, injúria transfóbica e violência política de gênero. O documento pede ao Ministério Público a instauração de investigação e a responsabilização de Campopiano.
A alegação é de que a publicação teria sido direcionada à identidade de gênero de Erika Hilton, que foi reeleita deputada federal por São Paulo e alcançou a maior votação já obtida por uma mulher para a Câmara dos Deputados no país, com 1.596.472 votos.
Até a publicação desta matéria, Eduarda Campopiano, Erika Hilton e o Ministério Público de São Paulo não haviam se manifestado sobre a representação.
Votação das deputadas
O episódio ocorreu após as duas parlamentares conquistarem votações expressivas no primeiro turno das eleições de 2026.
Eduarda Campopiano foi eleita deputada estadual em São Paulo com 1.956.238 votos, tornando-se a candidata mais votada para a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Erika Hilton, por sua vez, foi reeleita para a Câmara dos Deputados com 1.596.472 votos.
A publicação de Campopiano fez referência justamente à diferença entre as votações obtidas pelas duas parlamentares.
Quem é Eduarda Campopiano?
Maria Eduarda Campopiano Monteiro, de 23 anos, foi eleita para a Alesp pelo PL. Natural de Campinas, no interior de São Paulo, ela ganhou projeção política principalmente por meio das redes sociais e por defender pautas conservadoras.
Campopiano foi eleita vereadora de Praia Grande em 2024 e, antes de chegar à Assembleia Legislativa, também atuou como comentarista em programas políticos. Nas redes sociais, ela se apresenta como “a maior inimiga das feministas de São Paulo”.
A parlamentar eleita também se posiciona contra pautas de esquerda e defende, entre outras bandeiras, restrições ao aborto e o endurecimento de medidas na área de segurança pública.