- Ex-deputado Eduardo Bolsonaro e empresário Paulo Figueiredo reunião com representantes do Departamento de Estado dos EUA.
- Defenderam sanções contra ministros do STF, incluindo Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes.
- Argumentaram que Moraes continua sob a Lei Global Magnitsky e deve ser reincluído na lista SDN do OFAC.
- Reunião ocorreu após sessão do STF que discutiu relatório da PF sobre casos envolvendo Moraes e Daniel Vorcaro.
- Manifestação de Trump sobre combate ao tráfico de drogas no Brasil foi mencionada durante o encontro.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o empresário Paulo Figueiredo se reuniram nesta quarta-feira (16) com integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos e defenderam a adoção de sanções contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes. O encontro ocorreu um dia após a sessão do STF que discutiu questões relacionadas ao relatório da Polícia Federal (PF) no caso envolvendo Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Pedido contra Moraes
Segundo Figueiredo, ele e Eduardo Bolsonaro argumentaram aos representantes do governo de Donald Trump que Moraes deveria voltar à lista de pessoas sancionadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão ligado ao Departamento do Tesouro dos EUA.
O empresário afirmou que, na avaliação apresentada durante a reunião, Moraes continuaria formalmente enquadrado na Lei Global Magnitsky e que não haveria motivo para impedir uma nova designação na lista SDN, que reúne pessoas sujeitas a bloqueios e restrições financeiras.
“Nossa posição é a de que Moraes continua sob a designação da Lei Global Magnitsky e que não há razão para que ele não seja reincluído na lista SDN [lista de pessoas designadas e bloqueadas] do OFAC”, disse Figueiredo.
O OFAC havia retirado Moraes da lista de sancionados em dezembro de 2025. A nova inclusão, portanto, foi apresentada pelos brasileiros como um pedido ao governo norte-americano, e não como uma sanção já anunciada pelos Estados Unidos.
Dino e Gilmar
Durante a reunião, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo também defenderam medidas contra Flávio Dino e Gilmar Mendes.
Figueiredo afirmou que, na avaliação apresentada aos integrantes do governo Trump, haveria elementos para justificar a inclusão dos dois ministros em medidas semelhantes.
“Há elementos suficientes para demonstrar que Flávio Dino e Gilmar Mendes estão prestando apoio material a um indivíduo designado. E, portanto, devem ser designados também”, defendeu.
A declaração representa a posição defendida por Figueiredo durante o encontro e não significa que o governo dos Estados Unidos tenha decidido aplicar sanções aos ministros.
Crise institucional
De acordo com o empresário, a reunião tratou principalmente da crise institucional no Brasil e do combate ao crime organizado.
Figueiredo também mencionou uma manifestação de Trump sobre o combate ao tráfico de drogas no Brasil. Em documento enviado pelo Congresso dos EUA na terça-feira (15), o presidente norte-americano criticou a atuação do governo brasileiro diante do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) e defendeu medidas para combater os grupos.
“O anúncio sobre o fracasso do governo Lula em combater o tráfico de drogas é algo que vale os brasileiros prestarem a atenção”, comentou Figueiredo.
Na sequência, o empresário afirmou:
“Eu estou otimista de que os brasileiros de bem vão gostar das notícias vindas dos EUA nas próximas semanas. E os bandidos não”, completou.
Reunião ocorre após sessão do STF
O encontro em Washington ocorreu um dia depois da sessão extraordinária do STF que discutiu questões relacionadas aos casos de Alexandre de Moraes e André Mendonça. A sessão de terça-feira (15) foi marcada por debates sobre a tramitação dos processos e por confrontos entre ministros.
Durante a sessão, Flávio Dino pediu vista, suspendendo a análise da questão de ordem que tratava da possibilidade de julgamento conjunto dos casos. O placar provisório terminou em 4 votos a 3 pela análise separada, sem decisão definitiva sobre o tema.