O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, demonstrou otimismo em relação ao desempenho eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, avaliando que o cenário atual apresenta condições mais favoráveis do que as observadas na disputa de 2022.
CENÁRIO ELEITORAL
Ao comentar o nível de competitividade da eleição, especialmente diante da possível candidatura do senador Flávio Bolsonaro, o ministro afastou a hipótese de uma disputa mais difícil. De forma categórica, respondeu que “não” vê maior complexidade no cenário atual.
Segundo ele, a principal mudança está na ampliação da base política em diferentes estados, com articulações consideradas mais robustas e presença de lideranças estratégicas em regiões importantes do país.
PALANQUES MAIS FORTES
Wellington Dias destacou que o grupo político aliado ao presidente chega mais estruturado. “Em 22, nós tínhamos o fato de estar fora do governo. Mas o destaque é que, hoje, nós temos melhores palanques. Em Minas Gerais, por exemplo, [teremos] palanque com o ex-presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco, [Alexandre] Kalil, ex-prefeito de Belo Horizonte, e Marília [Campos], ex-prefeita de Contagem. Se você observar, a gente tem hoje nos Estados, no Rio, com Eduardo Paes, e o próprio Fernando Haddad, em São Paulo, um quadro de candidaturas muito mais potente do que em 22”, afirmou.
POLARIZAÇÃO EM FOCO
Apesar do otimismo, levantamentos recentes indicam movimentações no cenário político, incluindo avanço de adversários e sinais de atenção em regiões tradicionalmente favoráveis ao PT, como o Nordeste. Ainda assim, o ministro avalia que a disputa deve se concentrar em dois polos e pode até ser decidida de forma antecipada.
“Na prática, é como se estivessem cristalizados dois campos: o mais humano e o desumano. De um lado, a valorização da vida com a vacina. Do outro, vira jacaré se tomar vacina. Por mais que o Flávio Bolsonaro queira se disfarçar, ele não vai conseguir. Esse projeto que está querendo voltar já foi. Não é uma novidade. Queremos um Brasil em conflito, colônia dos Estados Unidos? Não. Queremos um Brasil de paz”, declarou.
Nesse contexto, Wellington Dias avalia que a tendência é de uma disputa direta entre Lula e Flávio Bolsonaro, com possibilidade de definição ainda no primeiro turno. Ele também pontuou que há um contingente relevante de eleitores que ainda não manifestou posição.
RESULTADOS E DESAFIOS
O ministro mencionou avanços atribuídos à atual gestão federal, como a melhora em indicadores sociais e econômicos e a redução da fome no país. No entanto, ponderou que esses resultados ainda não são plenamente percebidos pela população.
Para ele, o principal desafio está na comunicação das ações governamentais. “Aqui o que é que falta? Organizar a orquestra. A orquestra ainda tem instrumentos desafinados. Agora é afinar instrumentos, afinar a orquestra. Mas temos um bom repertório”, disse.
Ele também defendeu uma atuação mais ampla na divulgação das políticas públicas. “Na prática, a comunicação não pode ser colocada apenas na responsabilidade de uma pessoa (...) É possível se trabalhar com pesquisas, mas é necessário que em cada lugar, cada vereador, líder social, deputado, pré-candidato, prefeito, ou seja, cada simpatizante possa ter sintonia com aqueles pontos que a população valoriza. Quem desconhece que o presidente Lula trabalha com prioridade social? Mas pouca gente está falando, por exemplo, dos efeitos econômicos”, completou.