- Flávio Bolsonaro afirma ser o "verdadeiro presidente eleito" e acusa o STF de fraude eleitoral após derrota de Lula.
- Ministro Zanin prorrogou votação até 19h por problemas de transporte, atendendo pedidos de PT e PL.
- Flávio fugiu do Brasil com apoio argentino e chegou aos EUA, onde agradece ao governo norte-americano.
- Ele acusa o STF de perseguição política e diz que não cometeu crime, mas foi alvo de caça às bruxas.
- Flávio compara sua situação a histórias de exílio de figuras como Rui Barbosa e Charles de Gaulle.
Derrotado por Lula (PT) no último domingo (25), o senador Flávio Bolsonaro (PL) emitiu comunicado na tarde desta quarta-feira dizendo ser o "verdadeiro presidente eleito do Brasil" e agradecendo o governo norte-americano pela fuga.
No documento, Flávio diz, sem provas, ter sido vítima de fraude eleitoral no segundo turno da eleição presidencial no Brasil, no último domingo. Ele responsabilizou o ministro Cristiano Zanin, do STF, pelo resultado da eleição que deu vitória a Lula, e que ele considera uma fraude.
Zanin prorrogou votação até as 19h após problemas no transporte. O ministro do STF tomou a decisão após relatos de redução da frota de ônibus e dificuldades de deslocamento de eleitores, principalmente em São Paulo e na Bahia.
Os pedidos para a prorrogação foram feitos tanto pelo PT e quanto pelo PL. A campanha petista pediu a extensão do horário em todo o país e a bolsonarista solicitou que a votação fosse estendida apenas em municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
Decisão valia apenas para urnas ainda abertas. Cerca de uma hora depois de determinar a prorrogação, Zanin esclareceu que a medida se aplicava somente às seções em que a votação não havia sido encerrada.
O documento foi enviado pelo amigo Paulo Figueiredo, empresário influenciado que mora nos Estados Unidos e é próximo do seu irmão Eduardo Bolsonaro. Flávio chegou aos Estados Unidos na manhã de hoje depois de fugir do Brasil por meio de uma operação secreta com apoio do governo argentino.
Confira, na íntegra, a carta:
Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil. Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher. Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país. O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão.
Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos. A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno. Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas. Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível. E as nulidades não são o único problema. Ao longo de toda a campanha, houve abuso de poder político, econômico e uso da máquina pública em favor da reeleição. São fatos graves, expressamente vedados por lei, que justificam a cassação da chapa Lula-Alckmin.
A resposta do regime ao meu questionamento veio rápida. Como num plano previamente elaborado, sete minutos após essa repugnante fraude eleitoral, o juiz, implicado em um imenso escândalo de corrupção, diretamente citado no inquérito que usou para tentar sequestrar meus passaportes, e que muito provavelmente estaria preso, se eles não tivessem impedido a minha posse, pôs em andamento a máquina de perseguição política do regime. Sendo impedido de origem e completamente suspeito para iniciar qualquer procedimento judicial contra mim, a sua mera participação em atos processuais mostra o tamanho da arbitrariedade e ilegalidade em andamento.
Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de Estado. A perseguição política que começou com meu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e se espalhou para milhares de outros brasileiros patriotas comuns e até mesmo cidadãos americanos, tem um único objetivo: silenciar qualquer pessoa que não concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil, através de uma Suprema Corte aparelhada pela organização criminosa petista.
Para deixar claro, não existe nenhum mandado de prisão contra mim, porque eu não cometi nenhum crime. O que existe é uma caça às bruxas politicamente motivada, que visava me colocar como refém e objeto de chantagem para proteger os juízes corruptos da Suprema Corte do impeachment. Eis o roteiro da perseguição: apreensão de passaporte, tornozeleira eletrônica, censura, prisão domiciliar, julgamento de fachada e, finalmente, condenação política.
Não vou submeter minha família a isso e meu país não merece passar novamente por este vexame internacional. Diante da instrumentalização política da Justiça no Brasil, trouxe minha família para os Estados Unidos, onde estamos em segurança. Agradeço, mais uma vez, ao Presidente Trump e ao governo americano por nos acolherem e nos darem a segurança jurídica que não temos mais no Brasil.
Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime.
Não sou o primeiro a ter que lutar pelo próprio país longe dele. Rui Barbosa foi para o exílio por enfrentar o arbítrio de Floriano Peixoto e de lá seguiu defendendo a lei e a liberdade. Charles de Gaulle liderou a França Livre a partir de Londres, condenado à morte pelo regime de Vichy, e voltou para libertar o seu país. José Martí organizou a luta pela independência de Cuba a partir de Nova York. Na Venezuela, Juan Guaidó e Edmundo González tiveram que deixar o país por enfrentar a ditadura chavista, e María Corina Machado, mesmo perseguida, se recusou a legitimar a fraude e se tornou um símbolo mundial da resistência democrática. Todos eles foram tratados como criminosos pelos regimes que enfrentavam. A história os chamou de outra coisa.
Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania. Vocês que almejavam a mudança, e eu não vou abandoná-los, eu serei a voz e a liderança livre da nossa nação.