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Empresários investigados por fraude no INSS citam ex-ministro de Bolsonaro em acordos milionários

Gravações obtidas pelo Estadão mostram conversa entre dois integrantes do grupo sobre a atuação de José Carlos de Oliveira para conseguir acordos

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  • Empresários investigados no esquema do INSS relatam tratativas com ex-ministro José Carlos de Oliveira para operar entidades envolvidas no caso.
  • Gravações revelam que Wilson Gomes, pai de Felipe Macedo Gomes, articulou negócios com o ex-ministro para facilitar acordos com a Amar Brasil Clube de Benefícios.
  • Associações ligadas a empresários teriam faturado mais de R$ 700 milhões com descontos indevidos em benefícios do INSS.
  • Operação Sem Desconto investiga desvios de R$ 6,2 bilhões em descontos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS.
  • Ex-ministro e empresários estão sob monitoramento por tornozeleira eletrônica após serem indiciados em investigações de corrupção.
Alvos da PF no caso das fraudes no INSS citam José Carlos de Oliveira, ex-ministro do Trabalho e Previdência | FOTO: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiaFoto
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Em gravações obtidas pelo Estadão, empresários investigados pela Polícia Federal no esquema de descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) relatam tratativas com o ex-ministro da Previdência José Carlos de Oliveira para operar entidades envolvidas no caso.

As imagens foram registradas por câmeras de segurança instaladas na residência de Anderson Cordeiro de Vasconcelos, um dos investigados. Em um encontro com Igor Dias Delecrode, os dois integrantes do grupo de empresários apelidado de “golden boys” conversam sobre as entidades que controlavam e sobre negócios relacionados ao esquema.

A defesa dos empresários afirmou que desconhecia os vídeos e que a pessoa que eventualmente tenha vazado as gravações teria cometido crimes. A defesa de José Carlos de Oliveira, por sua vez, afirmou que o ex-ministro nega ter relação com os empresários.

Empresários relatam ajuda para conseguir acordo

O Estadão teve acesso a cerca de 30 minutos de gravações feitas em 22 de maio de 2025, um mês após a deflagração da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal.

Na conversa, os empresários afirmam que receberam ajuda de Wilson Roberto Gomes, pai de Felipe Macedo Gomes, outro integrante do grupo, para conseguir o primeiro acordo para operar a Amar Brasil Clube de Benefícios.

Delecrode afirma que Felipe dizia ter conseguido o negócio sozinho, mas atribui ao pai dele a articulação com Oliveira.

“Eu que consegui o negócio para vocês, eu que sentei lá com o Oliveira, eu que disse que podia acreditar em vocês”, teria dito Wilson Gomes, segundo Delecrode.

Anderson concorda com o relato e cita outra frase atribuída a Wilson: “Faz pro meu filho como se fosse pra mim”.

Na sequência, Anderson afirma: “Eu não sabia de nada disso, nem que ia dar um helicóptero pro ‘big boss’”. Ele não esclarece quem seria a pessoa chamada de “big boss”.

INSS | Foto: Agência Brasil

Grupo teria faturado mais de R$ 700 milhões

Segundo a reportagem, associações ligadas a Igor Delecrode e Anderson Cordeiro de Vasconcelos faturaram mais de R$ 700 milhões no esquema investigado pela Polícia Federal.

Os empresários receberam o apelido de “golden boys” por serem homens na faixa dos 30 e 40 anos que, formalmente, presidiram quatro entidades investigadas.

Em outro momento da conversa, eles falam sobre os valores que teriam sido destinados a Wilson Gomes. Segundo o relato feito nas gravações, Felipe poderia recorrer ao dinheiro do pai, que teria recebido R$ 7 milhões dos empresários.

Em outro trecho, um dos empresários afirma sobre os ganhos obtidos com as entidades: “O que a gente ganhava nem multinacional ganha”.

Investigação apura descontos indevidos

A Operação Sem Desconto investiga um esquema de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS. Segundo a Polícia Federal, associações e sindicatos que tinham acordos com o órgão para oferecer serviços a beneficiários são suspeitos de realizar cobranças de pessoas que não haviam autorizado a filiação.

A investigação estima desvios de R$ 6,2 bilhões relacionados aos descontos realizados entre 2019 e 2024.

O inquérito que envolve os chamados “golden boys” está em fase final, segundo o Estadão, e o relatório da investigação ainda não foi apresentado.

Ex-ministro também é investigado

José Carlos de Oliveira, que foi ministro da Previdência, presidente do INSS e diretor de Benefícios do órgão, também é investigado no caso.

Ele e os empresários estão atualmente submetidos ao monitoramento por tornozeleira eletrônica, medida determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Oliveira também foi indiciado em outra investigação por suspeita de recebimento de propina relacionada à Conafer, uma das entidades investigadas no esquema.

Relação com pai de empresário

A relação entre o grupo e o ex-ministro, segundo as gravações, teria começado a partir da amizade de Oliveira com Wilson Roberto Gomes, conhecido como “Xixa”, pai de Felipe Macedo Gomes.

Wilson foi condenado por lavagem de dinheiro relacionada ao tráfico de drogas. Segundo o processo citado pelo Estadão, ele foi preso com 16 quilos de cocaína, e um dos acusados afirmou que Xixa emprestava dinheiro a juros de 20% ao mês para financiar o comércio de drogas.

A investigação também apontou lavagem de dinheiro por meio de notas fiscais de uma loja de veículos pertencente a Wilson.

Em 2013, o irmão de Wilson e um parente distante de José Carlos de Oliveira foram mortos a tiros em frente ao Café Jornal, em Moema, na Zona Sul de São Paulo. O crime não teve suspeitos identificados pela polícia.

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