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Ex-chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro vira réu por rachadinha na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro

Carlos Bolsonaro não integra a lista dos denunciados.

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  • Justiça do Rio aceita denúncia contra ex-chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro e outros seis acusados de rachadinha.
  • Jorge Luiz Fernandes é apontado como líder do esquema de desvio de recursos públicos no gabinete do vereador.
  • Investigação revela que assessores repassavam parte dos salários a Fernandes por meio de transferências bancárias.
  • Denúncia foi apresentada em setembro de 2024, após reabertura da investigação por omissões na primeira análise.
  • Réus têm 10 dias para apresentar defesa e Justiça agendará audiências para ouvir testemunhas.
Jorge Luiz Fernandes e Carlos Bolsonaro | Foto: Reprodução e Reuters
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A Justiça do Rio de Janeiro aceitou a denúncia do Ministério Público contra o ex-chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro, Jorge Luiz Fernandes, e outros seis ex-assessores investigados por suposta participação em um esquema de rachadinha no gabinete do vereador.

Com a decisão, os acusados passam à condição de réus pelos crimes de organização criminosa e peculato, caracterizado pelo desvio de recursos públicos.

Na decisão, o juiz Marcello Rubioli afirmou que as investigações apontaram a existência de um esquema de rachadinha no gabinete de Carlos Bolsonaro e destacou que há elementos suficientes para o recebimento da denúncia.

Carlos Bolsonaro não integra a lista dos denunciados.

Segundo o Ministério Público, Jorge Luiz Fernandes seria o líder do grupo investigado. Nomeado em 2001, ele assumiu o cargo de chefe de gabinete em 2018. A decisão judicial também destaca sua proximidade com a família Bolsonaro e afirma que ele teria articulado a nomeação dos demais envolvidos.

De acordo com a investigação, os assessores repassavam parte dos salários a Jorge por meio de transferências bancárias e saques.

Entre os denunciados está Regina Célia, esposa de Jorge Fernandes. Conforme a apuração, ela teria transferido mais de R$ 800 mil para a conta do marido desde que foi nomeada para o cargo, em 2005.

Outra ex-assessora citada na denúncia é Juciara da Conceição Raimundo da Cunha, apontada como responsável por movimentar cerca de R$ 650 mil em saques e transferências destinadas a Jorge, o segundo maior valor identificado pelos investigadores.

O Ministério Público sustenta que o suposto esquema funcionou entre junho de 2005 e dezembro de 2021, abrangendo praticamente todo o período de atuação de Carlos Bolsonaro na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Segundo a denúncia, os seis servidores investigados teriam repassado aproximadamente R$ 1,9 milhão ao então chefe de gabinete.

Os réus terão prazo de 10 dias para apresentar defesa por escrito. Após a análise das manifestações, a Justiça deverá agendar as audiências para oitiva das testemunhas.

A denúncia foi apresentada em setembro de 2024. Na época, o Ministério Público arquivou a investigação contra Carlos Bolsonaro por entender que depoimentos, relatórios e laudos não indicavam movimentações financeiras ou repasses em favor do vereador.

O promotor Alexandre Murilo Graça, responsável pelo caso, sustentou que não havia elementos suficientes para responsabilizar o parlamentar.

No entanto, no início de 2025, o juiz Thales Nogueira Cavalcanti Venâncio Braga apontou omissões e contradições na investigação e encaminhou o processo à Procuradoria-Geral de Justiça para reavaliação.

Em março deste ano, o Ministério Público do Rio de Janeiro decidiu reabrir a investigação contra Carlos Bolsonaro para apurar sua eventual participação no esquema. O procedimento segue em andamento.

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