O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro, tem viagem marcada para Israel no fim de janeiro, onde participará de um evento internacional sobre o combate ao antissemitismo. A agenda integra uma missão oficial do Senado Federal, com todas as despesas custeadas por recursos públicos, em meio ao avanço de sua pré-campanha à Presidência da República.
Evento internacional em Jerusalém
O parlamentar será um dos oradores da Conferência Internacional de Combate ao Antissemitismo, programada para os dias 26 e 27 de janeiro, em Jerusalém. O encontro conta com o apoio de integrantes do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que também deverá discursar, e reunirá lideranças da direita internacional.
Segundo a assessoria de imprensa do senador, Flávio Bolsonaro pretende apresentar “diretrizes que adotaria em um eventual futuro governo” e defender o fortalecimento das relações bilaterais iniciadas durante a gestão Bolsonaro.
Giro internacional e articulação política
Além de Israel, o roteiro internacional inclui compromissos no Bahrein, entre 28 de janeiro e 2 de fevereiro, e nos Emirados Árabes Unidos, de 3 a 6 de fevereiro. No total, o senador permanecerá cerca de 20 dias fora do Brasil. A agenda foi organizada pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro, apontado como um dos principais articuladores do bolsonarismo junto à direita global.
A conferência em Jerusalém deve reunir nomes como o ministro da Justiça da Argentina, Mariano Cúneo Libarona, o primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, e o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee. Flávio Bolsonaro também está previsto para participar de um jantar de gala reservado a autoridades, no dia 26.
Contexto internacional
A movimentação ocorre em um momento de reacomodação do bolsonarismo no cenário externo, após tentativas frustradas de pressionar o Brasil por meio de sanções internacionais. No final do ano passado, o governo Donald Trump reaproximou-se do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reduziu medidas comerciais restritivas e retirou o ministro Alexandre de Moraes da lista de sancionados pela Lei Magnitsky, episódio interpretado como um revés simbólico para aliados do ex-presidente.
Viagem autorizada pelo Senado
O deslocamento internacional foi autorizado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em despacho assinado em 22 de dezembro. O documento estabelece que passagens aéreas, diárias, seguro-viagem, hospedagem, alimentação e deslocamentos do senador sejam pagos pelo Senado Federal.
As normas internas da Casa permitem o custeio quando a viagem é classificada como missão oficial. Em 2026, o Senado reajustou o valor das diárias internacionais para US$ 656,46. Com a autorização de 12 dias de missão, Flávio Bolsonaro deverá receber aproximadamente US$ 7,9 mil, o equivalente a mais de R$ 42 mil apenas em diárias, sem contar outros custos da viagem.