- Candidatos LGBTQIA+ João Pedro Sastre e Sophia Barclay não elegeram-se para Câmara dos Deputados por São Paulo.
- Conflito entre os dois candidatos chegou à Justiça após Sastre questionar benefícios sociais de Barclay.
- Sastre recebeu 294 votos, Barclay 23.269, nenhum conseguiu cadeira na Câmara.
- Barclay acionou Justiça por supostas informações falsas em vídeo de Sastre e pediu resposta.
- Sastre reagiu ao resultado, afirmando que direita não apoia candidatos LGBTQIA+.
Os candidatos João Pedro Sastre (MDB), conhecido como “Gay de Direita”, e Sophia Barclay (PL), chamada de “Trans de Direita”, não conseguiram se eleger para a Câmara dos Deputados por São Paulo nas eleições deste domingo (4). Os dois protagonizaram um embate durante a campanha que chegou à Justiça após Sastre publicar um vídeo questionando o recebimento de benefícios sociais por Barclay.
Sastre recebeu 294 votos, o equivalente a 0,01% dos votos, enquanto Sophia Barclay teve 23.269 votos, ou 0,10%. Nenhum dos dois conquistou uma cadeira na Câmara.
João Pedro Sastre disputou uma vaga de deputado federal pelo MDB e terminou a eleição com 294 votos. Sophia Barclay, candidata pelo PL, recebeu 23.269 votos.
Após a divulgação do resultado, Sastre publicou um vídeo nas redes sociais comentando o desempenho nas urnas e voltou a abordar as dificuldades que, segundo ele, candidatos LGBTQIA+ enfrentam dentro do campo político de direita.
Disputa terminou na Justiça
O conflito entre os dois candidatos ganhou repercussão após o Metrópoles publicar uma reportagem sobre o recebimento de Bolsa Família e outros benefícios sociais por Sophia Barclay desde 2018. A candidata havia feito críticas aos programas em suas redes sociais.
Após a publicação, Sastre divulgou um vídeo questionando o recebimento dos auxílios por Barclay. Na gravação, também mencionou um episódio envolvendo uma suposta relação dela com o então candidato à Presidência Flávio Bolsonaro e afirmou que ela não seria eleita.
“Estarei aqui para te desmascarar. Você não será eleita deputada federal, a verdade sempre prevalece”, disse Sastre.
Barclay acionou a Justiça e alegou que o vídeo apresentava informações inverídicas e prejudicava sua reputação ao retratá-la como mentirosa. Ela também pediu autorização para publicar um vídeo de resposta, mas o pedido foi negado.
Candidatos trocaram acusações durante campanha
Sophia Barclay ficou conhecida por críticas à comunidade LGBTQIA+ e por ataques à deputada federal Erika Hilton (PSol), que foi reeleita neste domingo. Segundo o Metrópoles, Barclay responde a quatro processos relacionados a declarações de teor transfóbico contra a parlamentar.
Sastre, por sua vez, também teve a candidatura marcada por uma polêmica durante a campanha. Ele chegou a anunciar que desistiria da disputa após alegar falta de apoio de seu partido, mas permaneceu como candidato e teve o nome mantido nas urnas.
Sastre reage ao resultado nas urnas
Depois da divulgação da votação, Sastre publicou um vídeo de desabafo e afirmou que as críticas sobre a falta de apoio da direita a candidatos LGBTQIA+ estavam corretas.
“Vocês têm razão. A direita não apoia LGBTs, a direita não vota em LGBT, a direita não elege essa classe.”
O candidato havia recebido apenas 294 votos na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados por São Paulo.