Hacker confessa invasão e vistoria nas contas de Moro, Dallagnol e Guedes

Delgatti Neto monitorava as contas do Telegram de mais de 30 autoridades ligadas a Bolsonaro

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Hacker Walter Delgatti Neto e ex-presidente Jair Bolsonaro | Adriano Machado/Reuters

A sentença que determinou a prisão de Walter Delgatti Neto, mais conhecido como o hacker da “Vaza Jato", revela que ele estava monitorando em tempo real as mensagens do então ministro da Economia, Paulo Guedes, e de outras autoridades. Nesta segunda-feira (21), o juiz federal Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, proferiu a condenação do hacker por invadir contas no aplicativo Telegram em 2019, incluindo a do ex-juiz e agora senador Sergio Moro (União Brasil-PR), e do ex-coordenador da Lava Jato e ex-deputado, Deltan Dallagnol.

A pena estabelecida é de 20 anos e um mês de prisão, com possibilidade de recurso.

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De acordo com Leite, a sentença se baseia em evidências de que Delgatti estava acompanhando em tempo real a conta do então ministro da Economia, Paulo Guedes, e outras 30 contas no Telegram. O magistrado faz referência a um relatório da Polícia Federal (PF) da época. O documento também indica que 99 indivíduos foram alvos de interceptação online.

A sentença menciona que, em uma subpasta de arquivos, foram encontradas imagens e capturas de tela de "diversas pessoas, incluindo procuradores da República, delegados da Polícia Federal (PF), advogados, entre outros".

Segundo o juiz, tais fatos indicam que Delgatti não estava agindo por idealismo. Leite argumenta: "Se sua intenção fosse puramente corrigir injustiças, ele não teria hackeado o ministro Paulo Guedes e os conselheiros do CNMP [Conselho Nacional do Ministério Público]. A lista de vítimas é extensa e poderia ter sido usada para chantagens em inúmeras ocasiões."

Comercialização das descobertas


O magistrado cita um depoimento de um outro acusado, que afirmou que tinha a intenção de vender as conversas hackeadas. "Este fato foi confirmado por Luiz Henrique Molição, que relatou que estavam procurando o melhor jornalista [da Veja ou Folha de São Paulo] para comprar o material hackeado", menciona a sentença.


O juiz acrescenta: "Isso enfraquece a alegação de Walter de que suas ações eram altruístas e visavam corrigir uma injustiça, já que ele até mesmo propôs um valor de R$ 200 mil para a venda desse material".


Leite argumenta que houve apenas um "resfriamento inicial" na intenção de vender o material após perceber a relutância dos jornalistas em pagar pelo acesso.

Credibilidade rompida

A revelação das conversas abalou a credibilidade da operação ao expor a colaboração entre Moro e os procuradores. Posteriormente, partes dessas conversas foram usadas para comprovar a parcialidade nas sentenças condenatórias contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2021.

Com base nessas conversas, o uso do acordo de colaboração da Odebrecht também foi anulado em processos judiciais.

Na sentença, o juiz Leite também menciona subpastas de arquivos hackeados de figuras como o ex-procurador-geral Rodrigo Janot e o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles.

Em relação ao senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que na época presidia o Senado, um relatório indica que todo o histórico de mensagens foi hackeado.

O texto também faz menção, sem detalhes, à invasão do celular do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Em uma entrevista à revista Veja em 2021, Delgatti afirmou que não encontrou conversas ao invadir os perfis dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O advogado de Delgatti, Ariovaldo Moreira, declarou, nesta segunda, que ainda precisa analisar a sentença antes de se manifestar. A defesa buscou na Justiça desqualificar as acusações e questionou a competência da 10ª Vara Federal do Distrito Federal para julgar o caso. O hacker admitiu durante a investigação e o processo que invadiu as contas no Telegram.

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