- ABEP critica proposta do TSE de selo para pesquisas eleitorais com maior precisão nos resultados.
- Associação afirma que pesquisas eleitorais refletem o cenário no momento da coleta e não preveem resultados.
- ABEP alerta que selo pode incentivar práticas que prejudiquem a qualidade das pesquisas eleitorais.
- Proposta do TSE prevê selo honorífico para reconhecer institutos com maior aderência aos resultados oficiais.
- TSE informa que critérios para avaliação das pesquisas ainda serão definidos e receberá sugestões até 17.
A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) criticou, nesta terça-feira (14), a proposta apresentada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, de criar um selo para reconhecer institutos cujas pesquisas eleitorais apresentem maior proximidade com os resultados oficiais das urnas. Para a entidade, a iniciativa parte de uma interpretação equivocada sobre o papel das pesquisas, que registram a intenção de voto no momento da coleta de dados e não fazem previsões do resultado da eleição.
ABEP diz que proposta desconsidera finalidade das pesquisas
Em nota, a ABEP afirmou que uma pesquisa eleitoral representa um retrato do cenário no momento em que é realizada e que o comportamento do eleitor pode mudar até o dia da votação.
"Exigir que uma pesquisa 'acerte' o resultado é confundir ciência com bola de cristal."
Segundo a associação, fatores como mudança de opinião, abstenção e acontecimentos de campanha podem alterar o resultado final das eleições após a divulgação dos levantamentos.
Entidade alerta para "incentivo perverso"
A associação também afirmou que a criação do selo pode estimular práticas que prejudiquem a qualidade das pesquisas. De acordo com a entidade, empresas sem rigor metodológico poderiam aguardar a divulgação de levantamentos realizados por institutos consolidados para ajustar seus próprios números e aumentar as chances de obter o reconhecimento.
"Quando o objetivo passa a ser ganhar um selo de 'acerto', o incentivo deixa de ser produzir a melhor pesquisa e passa a ser publicar o número que maximize a chance de receber o prêmio. Isso enfraquece, em vez de fortalecer, a qualidade da informação oferecida ao eleitor."
A ABEP defende que a qualidade de uma pesquisa deve ser avaliada por critérios técnicos, como metodologia, desenho amostral, transparência, execução das entrevistas e cumprimento das boas práticas científicas.
Proposta foi apresentada pelo presidente do TSE
A proposta do ministro Kassio Nunes Marques prevê a criação do Selo Acurácia Eleitoral, de caráter honorífico, destinado a reconhecer empresas cujas estimativas apresentem maior aderência aos resultados oficiais das eleições.
"É chegado o momento da Justiça Eleitoral laurear as empresas que a cada ciclo dedicam os seus maiores esforços em favor da democracia. Essa iniciativa destina-se ao reconhecimento das entidades cuja estimativas apresentem o maior grau de aderência dos resultados oficiais das eleições", afirmou o presidente do TSE.
Pela minuta apresentada, seriam consideradas as pesquisas registradas no TSE e divulgadas ao público, realizadas no dia da votação, as chamadas pesquisas de boca de urna ou nos sete dias anteriores ao pleito.
Critérios ainda serão definidos
De acordo com a proposta, o TSE ficaria responsável por avaliar as pesquisas para a eleição presidencial, enquanto os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) analisariam os levantamentos referentes às disputas para os governos estaduais e do Distrito Federal.
A metodologia para medir a proximidade entre os resultados das pesquisas e os das urnas ainda será definida. O TSE informou que receberá sugestões dos institutos de pesquisa até a próxima sexta-feira (17).
Em sua manifestação, a ABEP reafirmou que está disposta a participar de um debate técnico com a Justiça Eleitoral para discutir medidas que fortaleçam a transparência, a integridade e a credibilidade das pesquisas eleitorais, desde que construídas em diálogo com a comunidade científica e o setor.