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Janja afirma que Brasil vive “quase uma epidemia”, ao falar sobre feminicídios

Em entrevista exclusiva para TV Meio Norte, a primeira-dama afirmou que o desenvolvimento do país perde sentido enquanto mulheres continuarem sendo assassinadas.

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  • Primeira-dama Janja da Silva alerta sobre aumento recorde de feminicídios no Brasil, classificados como quase uma epidemia.
  • Pacto Brasil contra o Feminicídio une Legislativo, Executivo e Judiciário para combater violência contra as mulheres.
  • Janja defende que homens devem assumir protagonismo na luta contra o feminicídio e liderar mudanças sociais.
  • Redução de casos de feminicídio no Piauí é destacada como exemplo de eficácia da rede de proteção institucional.
  • Primeira-dama apela para que estados e municípios adotem metodologia do pacto para proteger mulheres e promover desenvolvimento.
Janja em entrevista na TV Meio Norte. | Foto: Raíssa Morais/Meio News
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A primeira-dama Janja da Silva afirmou que o Brasil precisa dar um "chega" ao feminicídio e defendeu o envolvimento direto dos homens no enfrentamento à violência contra as mulheres. Em entrevista exclusiva concedida à jornalista Cinthia Lages, da TV Meio Norte, nesta quinta-feira (30), durante agenda em Teresina para a apresentação do Pacto Brasil contra o Feminicídio, Janja classificou o crime como uma "quase epidemia" e detalhou os resultados e objetivos da iniciativa coordenada pelo Governo Federal.

Logo no início da entrevista, a primeira-dama destacou a gravidade do cenário nacional e lembrou os dados mais recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que registraram recorde histórico de feminicídios.

"O combate ao feminicídio é uma pauta importante, e este é um momento em que o feminicídio, quase uma epidemia no nosso país, de fato nos chama a atenção. Os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgados esta semana, apontam um recorde histórico, com 1.571 casos de feminicídio. Isso quer dizer que, em média, ao final desta quinta-feira, quando nós estamos aqui, quatro mulheres serão mortas. Se todas elas forem mães, de acordo com dados do IBGE, serão quase cinco mil órfãos no ano de 2025."

Pacto une os três Poderes

Ao responder sobre as expectativas em torno do programa, Janja explicou que o Pacto Brasil contra o Feminicídio foi estruturado para integrar ações do Legislativo, Executivo e Judiciário, superando iniciativas isoladas.

"Gente, eu tenho falado que o pacto, mais do que ser um pacto que tem um planejamento, uma estrutura, é um pacto que conecta ações dos diferentes setores do Legislativo, do Executivo e do Judiciário. Então, eu tenho falado que a gente conseguiu coordenar isso por meio do pacto."

Segundo ela, o modelo prevê reuniões periódicas entre representantes dos três Poderes para alinhar políticas públicas e acelerar medidas de proteção às vítimas.

"Hoje, a gente se reúne a cada 15 dias, com representantes dos três Poderes, e o que a gente faz é coordenar as ações."

"São os homens que matam as mulheres"

Durante a entrevista, Janja revelou que a criação do pacto surgiu após uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, motivada pelo crescimento dos casos de feminicídio registrados no país.

Ela contou que pediu ao presidente que liderasse um movimento nacional para enfrentar o problema e defendeu que os homens assumam protagonismo nesse debate.

"No ano passado, quando o número de feminicídios começou a me assombrar, com esses números aparecendo todos os dias no noticiário, eu conversei com o meu marido e falei: 'Você precisa liderar esse movimento. Você precisa liderar algo para que a gente possa transformar essa realidade.'"

Na sequência, fez uma das declarações mais marcantes da entrevista.

"Porque são os homens que matam as mulheres. A gente já faz muito, a gente já fala sobre isso entre nós, mas vocês, homens, precisam falar também."

Segundo a primeira-dama, a conversa sensibilizou o presidente, que convidou os chefes dos demais Poderes para construir a iniciativa.

"Então, ele sentiu a minha angústia, a minha impotência diante daqueles números, e chamou o presidente do STF, o presidente do Senado e o presidente da Câmara dos Deputados para propor esse Pacto."

Feminicídio na agenda nacional

Janja afirmou que uma das principais conquistas da iniciativa foi retirar o feminicídio da invisibilidade e colocá-lo como prioridade da agenda pública.

"Uma coisa que, para mim, tem sido muito significativa é que a gente colocou o feminicídio na ordem do dia. Esse tema, que talvez fosse invisibilizado, tinha uma nuvem sobre ele, porque realmente é uma chaga da nossa sociedade, da sociedade brasileira. A gente tirou essa nuvem, desvelou essa realidade, está mostrando os dados e atuando de forma mais coordenada."

Ela também destacou avanços na tramitação das medidas protetivas, apontando que a articulação institucional vem reduzindo o tempo de resposta do Estado.

"Eu posso dizer que, por exemplo, as medidas protetivas, que antes demoravam de cinco a 15 dias, hoje, na maioria dos casos, são concedidas no mesmo dia ou em até 24 horas. Então, isso tem sido fundamental, porque as mulheres estão se sentindo mais protegidas, Cíntia. É isso que é importante."

Piauí é citado como exemplo

Durante a entrevista, Janja elogiou a adesão do Governo do Piauí ao pacto e afirmou que o estado apresenta resultados positivos na redução dos casos de feminicídio.

"Hoje, eu estou aqui no Piauí com o governador Rafael, que está nos recebendo e assumindo essa responsabilidade no estado. Eu quero parabenizar, porque o Piauí é um dos estados em que o índice de feminicídios diminuiu muito."

Para a primeira-dama, a redução está diretamente ligada ao fortalecimento da rede de proteção.

"Isso é muito importante, porque a rede está funcionando. É isso que importa. Quando as mulheres sabem que essa rede funciona, elas denunciam."

Ela também rebateu interpretações de que o aumento dos registros de violência contra a mulher representa necessariamente piora da situação.

"As pessoas falam: 'Ah, mas os números da violência contra a mulher aumentaram.' Aumentaram porque as mulheres estão denunciando mais. A sociedade precisa entender isso. Não é porque a rede não está funcionando; pelo contrário, as mulheres estão se sentindo mais protegidas e estão buscando essa rede de apoio."

Apelo aos estados e municípios

Janja defendeu que todos os estados e municípios adotem a metodologia do pacto para fortalecer a atuação conjunta dos três Poderes.

"É fundamental que os estados e os municípios façam adesão ao Pacto Nacional e trabalhem no mesmo modelo, na mesma metodologia, com os três Poderes unidos para proteger a vida das mulheres. Isso é o que mais importa."

Ainda na entrevista, a primeira-dama afirmou que o desenvolvimento do país perde sentido enquanto mulheres continuarem sendo assassinadas.

"Eu sempre falo, Cíntia, que a gente tem trabalhado muito, no governo federal, pelo desenvolvimento do Brasil. O Brasil é um país respeitado internacionalmente pelas suas políticas públicas, mas de nada adiantam essas políticas públicas se as mulheres continuarem morrendo."

E concluiu com um apelo para que o país deixe de conviver diariamente com notícias de feminicídios.

"Então, eu acho que a gente precisa realmente dar um basta nisso. É um 'chega' mesmo. A gente tem que abrir o jornal, olhar o nosso celular e ver notícias que nos alegrem, que nos impulsionem para a frente, e não, todos os dias, chorar pela morte de quatro mulheres, como você dizia."

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