A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, relatou nesta terça-feira (3) ter sido vítima de assédio durante o atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi feita durante participação no programa Sem Censura, exibido pela TV Brasil e apresentado por Cissa Guimarães. O debate tinha como foco a violência contra a mulher.
RELATO PESSOAL
Sem detalhar as circunstâncias dos episódios, Janja afirmou que enfrentou duas situações de assédio ao longo do terceiro mandato presidencial. Ao comentar o tema da segurança feminina, destacou que nem mesmo a estrutura que acompanha a chefia do Executivo impede ocorrências desse tipo.
“A gente não tem segurança nenhuma, em nenhum lugar. Eu, como primeira-dama, não tenho segurança no lugar onde estou. Eu fui assediada neste período [do terceiro mandato de Lula] duas vezes. Se eu, enquanto primeira-dama, que tenho toda uma equipe em torno, um olhar, câmeras e tudo, sou assediada, você imagina uma mulher no ponto do ônibus às dez horas da noite”, desabafou, sem entrar em detalhes sobre os episódios pessoais.
DISCURSO DE ÓDIO NA INTERNET
Durante a entrevista, a primeira-dama também voltou a defender a necessidade de regulamentação das plataformas digitais no Brasil. Para ela, o ambiente virtual tem servido de espaço para a propagação de conteúdos ofensivos e violentos, especialmente contra mulheres.
“Esse discurso de ódio é muito prevalente na internet e não é menos nocivo porque acontece no ambiente digital. Hoje, há muitos canais [na internet] que disseminam discurso de ódio contra as mulheres com as crianças e adolescentes”, acrescentou a primeira-dama, que é socióloga.
PACTO CONTRA O FEMINICÍDIO
Janja foi uma das principais articuladoras de um acordo firmado entre Executivo, Legislativo e Judiciário com o objetivo de reforçar ações de enfrentamento ao feminicídio. A iniciativa foi lançada no dia 4 de fevereiro, no Palácio do Planalto, reunindo representantes dos Três Poderes.
Ao comentar a importância do pacto, ela enfatizou a necessidade de integração entre as instituições para garantir proteção efetiva às mulheres.
“Porque a gente quer que as coisas funcionem, que a engrenagem esteja toda funcionando para que as mulheres se sintam protegidas. Tanto aquelas que pedem medida protetiva quanto aquelas que ainda não pediram medida protetiva”, analisou.