- Joice Hasselmann acusa Bolsonaro de ter tentado matê-la após ferimentos graves em 2021.
- Investigação descartou participação de terceiros e apontou queda como causa dos ferimentos.
- Ex-deputada relembrou apoio a Bolsonaro em 2018 e sua decepção com o grupo político.
- Joice anunciou voto em Lula, defendendo democracia e oposição dentro das instituições.
- Ex-parlamentar diz que denunciou minuta de golpe em 2019 e enfrentou perseguições.
A ex-deputada federal Joice Hasselmann acusou Jair Bolsonaro de ter ordenado sua morte ao relembrar o episódio em que foi encontrada com ferimentos graves no rosto e no corpo, em julho de 2021. A declaração foi feita em entrevista ao jornalista Leonardo Attuch, diretor do Brasil 247. Na conversa, a ex-parlamentar também abordou seu rompimento com o bolsonarismo e anunciou voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, marcado para domingo (25).
“Mandou me matar”, afirmou Joice, em trecho divulgado antecipadamente da entrevista, cujo título é “Bolsonaro tentou me matar”. A acusação se refere ao episódio ocorrido quando ela ainda exercia mandato na Câmara dos Deputados. A declaração representa a versão apresentada pela ex-parlamentar sobre o caso.
Investigação descartou participação de terceiros
Em julho de 2021, Joice foi encontrada ferida no apartamento funcional onde morava, em Brasília. Na ocasião, ela apresentava fraturas no rosto e outros ferimentos e afirmou não se lembrar do que havia acontecido. A então deputada levantou a suspeita de ter sido vítima de um atentado.
O caso foi investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), que, em agosto daquele ano, descartou a participação de terceiros. A conclusão da corporação foi de que os ferimentos teriam sido provocados por uma queda da própria altura, possivelmente relacionada aos efeitos de um medicamento para dormir.
Ex-deputada relembra apoio a Bolsonaro em 2018
Na entrevista e em um vídeo publicado nas redes sociais, Joice também revisitou sua trajetória política e a participação na campanha de Jair Bolsonaro à Presidência, em 2018. Ela afirmou que, naquele momento, acreditava contribuir para uma mudança política no país e para o combate à corrupção.
“Em 2018, acreditei em Bolsonaro, sim”, declarou. A ex-parlamentar também relembrou que chegou a ocupar o posto de líder do governo no Congresso Nacional, mas disse que sua decepção com o grupo político ocorreu ainda no primeiro ano da gestão.
“Eu vi o clã por dentro”, afirmou Joice, ao comentar o convívio com familiares e aliados do ex-presidente. Em seguida, reconheceu sua participação na ascensão política de Bolsonaro: “Eu errei em ajudar, mas não poderia ficar de braços cruzados”.
Joice diz que denunciou minuta de golpe em 2019
Ao falar sobre o rompimento com o bolsonarismo, a ex-deputada relatou ter enfrentado perseguições, ataques à reputação e perda de aliados e espaço político. Ela também afirmou ter sido grampeada e espancada e voltou a mencionar o episódio de 2021.
Joice declarou ainda que denunciou a existência de uma minuta de golpe em 2019 e que levou a informação ao então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.
“Esta minuta já existia no primeiro ano de governo”, disse. Ao recordar as denúncias feitas durante o período em que ainda integrava a base política de Bolsonaro, ela afirmou que enfrentou resistência de antigos aliados.
Ex-deputada anuncia voto em Lula
No vídeo divulgado nas redes sociais, Joice anunciou apoio a Lula no segundo turno, apesar das divergências que afirma manter com o presidente e com o Partido dos Trabalhadores (PT). Segundo ela, a decisão está relacionada à defesa da democracia e à possibilidade de exercer oposição dentro das instituições.
“Afinal, perder uma eleição, tudo bem. Perder a democracia, jamais”, afirmou.
A ex-parlamentar também declarou: “Voto em Lula, sem meias palavras, sem hipocrisia”. Ela argumentou que as diferenças entre os campos políticos não eliminam a necessidade de respeitar as regras democráticas.
“Hoje posso confirmar: os dois lados não são iguais”, disse Joice. Ela afirmou continuar discordando das ideias da esquerda, mas ressaltou que considera possível combater essas posições dentro do processo democrático.
Joice diz que pretende voltar à oposição
A ex-deputada afirmou estar ciente das possíveis consequências políticas e pessoais de seu posicionamento, incluindo críticas, rompimentos de amizades e perda de espaço. Ainda assim, declarou que não pretende recuar.
“Já perdi muito e não tenho medo de perder”, afirmou.
Joice também ressaltou que o voto em Lula não significa adesão ao programa do PT. Segundo ela, a intenção é voltar a atuar na oposição após a eleição, desde que isso ocorra em um ambiente democrático.
“Sim, volto à oposição, mas dentro do processo democrático, onde é possível fazer oposição”, declarou.