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Justiça italiana solta Carla Zambelli após negar pedido de extradição

Ex-deputada publicou vídeo nas redes sociais após deixar prisão em Roma e defesa fala em decisão “inesperada”

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  • A ex-deputada federal Carla Zambelli foi solta pela Justiça italiana após negativa do pedido de extradição.
  • A Corte de Cassação de Roma entendeu que as condenações impostas no Brasil eram desproporcionais e lastreadas em provas fracas.
  • Carla Zambelli agradeceu à defesa e comentou a decisão judicial após deixar a prisão feminina de Rebibbia, em Roma.
  • A ex-deputada tem cidadania italiana e pode permanecer no país ou viajar para outro sem risco de captura internacional.
Ex-deputada federal Carla Zambelli (PL) | Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados
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A ex-deputada federal Carla Zambelli foi solta pela Justiça italiana após a Corte de Cassação de Roma negar o pedido de extradição apresentado pelo governo brasileiro. A decisão foi divulgada nesta semana e permitiu a liberação da parlamentar, que estava presa no presídio feminino de Rebibbia, em Roma. Após deixar a unidade prisional, Zambelli publicou um vídeo nas redes sociais agradecendo à defesa e comentando a decisão judicial.

Segundo informações divulgadas pela defesa, a Corte italiana entendeu que havia questionamentos sobre as condenações impostas no Brasil. O advogado Fábio Pagnozzi afirmou que os magistrados avaliaram que as penas seriam “desproporcionais” e sustentadas em “provas muito fracas”.

Vídeo foi publicado após saída da prisão

Em vídeo divulgado em colaboração com o perfil do irmão, Carla Zambelli confirmou que estava em liberdade e agradeceu ao trabalho dos advogados responsáveis pelo caso na Itália e no Brasil. “Eles fizeram o impossível, que é lutar contra um sistema dificílimo. Ele nunca desistiu de mim, nem quando achamos que nada ia dar certo”, declarou a ex-deputada.

A publicação rapidamente repercutiu entre aliados políticos e apoiadores da parlamentar. A ex-ministra Damares Alves também comentou a decisão e afirmou nas redes sociais que “a justiça foi feita”.

Segundo a coluna do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, integrantes das autoridades brasileiras que acompanhavam o caso classificaram a decisão como “inesperada”.

Extradição havia sido solicitada pelo Brasil

O pedido de extradição foi apresentado após condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal no processo relacionado à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça. Carla Zambelli foi condenada a dez anos de prisão, decisão que fundamentou a solicitação encaminhada às autoridades italianas.

Dias antes da decisão da Corte italiana, o ministro Alexandre de Moraes havia determinado que o Ministério da Justiça e o Itamaraty adotassem medidas para viabilizar a extradição da ex-parlamentar.

Segundo a defesa, a negativa da Justiça italiana também alcança outro pedido de extradição relacionado ao processo por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.

Defesa questiona provas usadas no processo

Em entrevista, o advogado Fábio Pagnozzi afirmou que a decisão da Corte de Cassação foi recebida com surpresa pela equipe jurídica, principalmente diante das dificuldades enfrentadas durante o processo.

“A Corte Superior entendeu que a Carla Zambelli, apesar de ter sido condenada no Brasil, as condenações foram, além de desproporcionais em questões de pena, elas foram também lastreadas em provas muito fracas, principalmente na palavra de um hacker, que a própria Polícia Federal julga ser mentiroso”, disse o advogado.

Ainda segundo a defesa, os advogados avaliam agora quais serão os próximos passos da ex-deputada e se ela permanecerá na Itália ou poderá viajar para outro país sem risco de captura internacional.

Caso segue com desdobramentos internacionais

Com cidadania italiana, Carla Zambelli deixou o Brasil em maio do ano passado, passou pelos Estados Unidos e se estabeleceu na Itália. Dois meses depois, ela foi presa preventivamente enquanto aguardava a tramitação do processo de extradição.

Durante o período em que esteve detida, a Justiça italiana manteve o entendimento de que havia risco de fuga. O governo brasileiro defendia que, caso a extradição fosse autorizada, a ex-deputada cumpriria pena na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.

Mesmo com a decisão favorável na Itália, o nome de Carla Zambelli segue incluído na lista de difusão vermelha da Interpol, e os efeitos jurídicos da soltura ainda estão sendo analisados pela defesa.

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