- Presidente Lula anuncia disponibilização gratuita de canetas emagrecedoras para pacientes com obesidade e indicação médica.
- Teste de protocolo com 250 pessoas em Porto Alegre para definir critérios de acesso aos medicamentos pelo SUS.
- Ministro Padilha destaca necessidade de avaliação médica e possibilidade de ampliação do tratamento na rede pública.
- Governo reduziu preços de medicamentos em 70% com ações de concorrência e fabricação nacional, incluindo semaglutida e liraglutida.
- Obesidade cresceu 118% nas capitais brasileiras entre 2006 e 2024, reforçando a necessidade de políticas públicas de tratamento.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (17/9) que as chamadas canetas emagrecedoras serão disponibilizadas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a pacientes com obesidade que tenham indicação médica para o tratamento.
A declaração foi feita durante uma visita ao novo Complexo Industrial da Eurofarma, em Montes Claros (MG). Lula estava acompanhado do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
A proposta prevê que o acesso aos medicamentos siga critérios médicos, definidos a partir da condição de saúde de cada paciente. O Ministério da Saúde já realiza um teste de protocolo com cerca de 250 pessoas com obesidade grave, doenças associadas ao quadro ou indicação para cirurgia bariátrica.
O acompanhamento ocorre no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre (RS). Os resultados da experiência deverão servir como referência para estabelecer os critérios de uma possível ampliação do tratamento na rede pública.
“Essa canetinha vai ser utilizada para cuidar de graça das pessoas que tenham obesidade, quando o médico detectar que um homem ou uma mulher tem problema de saúde”, afirmou Lula durante a visita.
O presidente também ressaltou a necessidade de acompanhamento por profissionais de saúde e criticou o uso ou distribuição dos medicamentos sem avaliação médica.
“Daqui a pouco vai ter gente distribuindo canetinha para tudo, vai ter deputado jogando caneta para o povo. E a caneta não é assim. Isso é irresponsabilidade, porque a pessoa tem que saber se pode ou não tomar, se vai fazer bem para a saúde ou não”, disse.
Protocolo em avaliação
Alexandre Padilha afirmou que o governo está elaborando um protocolo para determinar quais pacientes poderão receber os medicamentos pelo SUS. O modelo que está sendo testado em Porto Alegre acompanha pessoas com obesidade grave ou associada a outras doenças, além de pacientes com indicação para cirurgia bariátrica.
“Queremos a medicação no SUS. Como direito”, afirmou Padilha.
De acordo com o ministro, os resultados obtidos durante a fase de testes deverão contribuir para a definição das regras de acesso e para uma eventual ampliação da oferta dos medicamentos na rede pública.
Redução dos preços
A estratégia do governo começou a ser estruturada em 2025, com ações do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para aumentar a concorrência e estimular a fabricação nacional dos medicamentos.
Segundo o governo, a chegada de novos produtos ao mercado provocou uma redução de aproximadamente 70% nos preços. Medicamentos que anteriormente custavam mais de R$ 1 mil passaram a ser encontrados por valores entre R$ 300 e R$ 400.
Em 2026, a Anvisa também registrou novos medicamentos à base de semaglutida e liraglutida, ampliando a quantidade de opções disponíveis no país.
Crescimento da obesidade
A discussão sobre a oferta desses medicamentos ocorre diante do aumento da obesidade no Brasil. Dados do Vigitel mostram que a proporção de adultos com obesidade nas capitais brasileiras e no Distrito Federal passou de 11,8%, em 2006, para 25,7%, em 2024.
O crescimento representa uma alta de aproximadamente 118% no período e reforça a discussão sobre estratégias de prevenção e tratamento da obesidade na rede pública de saúde.