O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta segunda-feira (23), que o ministro da Educação, Camilo Santana, deixará o cargo para participar da campanha eleitoral deste ano.
Segundo Lula, a saída ocorre a pedido do próprio ministro, embora ele não seja candidato.
"Nosso querido ministro da Educação que está nos deixando agora... ele tá pedindo pra sair porque tem campanha eleitoral. Ele embora não seja candidato, ele quer participar da campanha", disse o presidente durante cerimônia de entrega do Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização, realizada em Brasília. O chefe do Executivo não detalhou a data da saída.
Lula também indicou que a ministra da Cultura, Margareth Menezes, deve permanecer no cargo. Já o ministro da Casa Civil, Rui Costa, deve colocar a função à disposição para disputar as eleições. Em janeiro, Rui Costa já havia sinalizado a indicação de Miriam Belchior como possível substituta na Casa Civil.
O presidente acrescentou ainda que, neste momento do governo, sua prioridade é executar políticas já aprovadas.
"Não tem mais a obrigação de entregar mais nada, agora é só cumprir o que já foi aprovado".
A expectativa é que cerca de 20 ministros deixem seus cargos até abril para disputar as eleições. A tendência é que secretários-executivos assumam os ministérios, garantindo a continuidade administrativa.
Brasil supera meta de alfabetização
Durante o evento, Camilo Santana anunciou que o país superou a meta de alfabetização prevista para 2025. O índice alcançou 66% das crianças alfabetizadas, acima dos 64% estabelecidos.
"Esse programa talvez seja o maior legado que o senhor [Lula] esteja deixando para esse país. É garantir que essas crianças vão concluir o ensino básico", afirmou o ministro.
O indicador integra o programa Criança Alfabetizada, criado em 2023, e é calculado pelo Ministério da Educação com base em avaliações aplicadas pelos estados a alunos de sete anos, com consolidação técnica do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira.
Na implementação inicial, o objetivo era recuperar, ou superar, os níveis de alfabetização registrados antes da pandemia de COVID-19.
O plano federal prevê crescimento gradual até atingir a universalização da alfabetização. As metas incluem: 67% em 2026, 71% em 2027, 74% em 2028, 77,5% em 2029 e mais de 80% em 2030.
No discurso, Lula agradeceu a governadores e prefeitos pelo resultado e destacou o avanço obtido. "parecia impossível", mas se continuarem "com a vontade que vocês demonstraram nesses dois anos, quem sabe a gente chega aos 80% antes de 2030".