- O presidente Lula afirmou que o Brasil não deve "ficar chorando" diante de possíveis medidas comerciais dos EUA.
- Lula disse que buscará novos parceiros internacionais e reagirá à medida ampliando relações comerciais com outros mercados.
- O USTR propôs tarifas de 25% sobre importações brasileiras e sobretaxas adicionais a produtos de 59 economias.
- Lula criticou a postura dos EUA em relação ao Brasil e afirmou que o país não pode aceitar tratamento como "republiqueta insignificante".
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (3) que o Brasil não deve “ficar chorando” diante de possíveis medidas comerciais dos Estados Unidos e que buscará novos parceiros internacionais.
A declaração foi feita durante reunião ministerial no Palácio do Planalto e ocorre após o órgão norte-americano responsável pelo comércio, o USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos), ter divulgado propostas de novas tarifas sobre produtos brasileiros.
Segundo Lula, o país deve reagir à medida ampliando suas relações comerciais com outros mercados.
Não vamos ficar chorando, vamos procurar outros parceiros. Se ele não quiser comprar, vamos procurar outro.
Presidente Lula e Trump, presidente dos EUA | Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República/Divulgação
Novo tarifaço dos eua
Na segunda-feira (1º), o USTR propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre importações brasileiras. Em documento divulgado na terça-feira (2), o órgão também sugeriu sobretaxas adicionais a produtos de 59 economias, sob o argumento de falta de medidas contra o comércio de bens ligados ao trabalho forçado. Essas tarifas adicionais poderiam variar entre 10% e 12,5%.
Durante a reunião, Lula afirmou que o governo foi surpreendido pelas propostas e criticou a postura dos Estados Unidos em relação ao Brasil.
Estamos num momento decisivo para que a sociedade brasileira, e até parte da sociedade mundial, reconheça o fortalecimento da democracia no nosso país. A nossa luta para que esse país não seja tratado em nenhum momento como uma republiqueta insignificante. Nós somos muito grandes, temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os EUA deu ao Brasil essa semana.
Reunião ministerial trata de comunicação
No encontro com ministros, Lula também orientou ajustes na comunicação do governo diante do cenário de incerteza comercial e da proximidade do período eleitoral.
O presidente afirmou que é necessário reforçar o discurso sobre soberania e integridade nacional.
Vocês não podem deixar de dizer isso: Estão tentando trair o Brasil por interesses mesquinhos, com interesses rasteiros de uma disputa eleitoral. Não há disputa eleitoral em qualquer país do mundo que possa dar valor a alguém que trai a pátria, alguém que é capaz de vender o próprio país por interesse mesquinhos.