- Presidente Lula comenta pela primeira vez crise no STF e caso Banco Master, defendendo investigações amplas e transparentes.
- Manifestação ocorreu após divulgação de relatório da PF sobre contatos entre ministro Alexandre de Moraes e banqueiro Daniel Vorcaro.
- Lula criticou vazamentos seletivos e pediu que STF e PGR conduzam apurações com integridade e confiança nas instituições.
- Presidente destacou que o Banco Master foi envolvido em esquema de roubo e cobrou investigação de todos os envolvidos, sem distinção.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manifestou nesta quinta-feira (3) pela primeira vez sobre a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e o caso Banco Master, após a divulgação de um relatório da Polícia Federal (PF) que aponta contatos entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. Sem citar nominalmente nenhum ministro, Lula defendeu investigações amplas, com firmeza e transparência, sem blindagem de envolvidos, e afirmou que a democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos.
Primeira manifestação
A declaração foi gravada em vídeo e divulgada nesta quinta-feira (3). O presidente abordou diretamente o escândalo envolvendo o Banco Master e a crise no Judiciário, mas adotou um tom institucional e não mencionou Moraes ou qualquer outro integrante da Suprema Corte.
A manifestação ocorre após a divulgação de informações sobre contatos entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, que foram identificados em material produzido pela PF durante investigação relacionada ao banco.
Aliados de Lula vinham defendendo que o presidente mantivesse distância do caso para evitar que a crise envolvendo o STF tivesse impacto sobre sua campanha à reeleição.
Lula fala em investigação
Durante o pronunciamento, Lula afirmou que o caso envolve suspeitas de participação de políticos e agentes públicos e cobrou uma apuração que preserve a confiança nas instituições.
O presidente também pediu que o presidente do STF e a Procuradoria-Geral da República (PGR) conduzam um processo capaz de garantir a integridade das investigações.
“O escândalo do Banco Master é o maior roubo da história do Brasil. Roubaram milhões de pessoas de muitos estados e municípios. O banqueiro líder do esquema tem relações com gente muito poderosa. E foi no meu governo que ele foi preso e o seu banco, fechado. A suspeita de políticos e agentes públicos envolvidos.”
Na sequência, Lula criticou a divulgação de informações de forma seletiva e defendeu que as instituições conduzam as apurações.
“Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos. Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente da Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República liderem um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações.”
“Sem blindagem de ninguém”
Lula também afirmou que, como presidente da República, defende uma atuação baseada em firmeza e transparência e cobrou dos agentes públicos o cumprimento de suas responsabilidades.
“Como presidente da República, acredito que só agindo com firmeza e transparência, vamos garantir que as instituições sejam respeitadas pela sociedade brasileira. É chegada a hora que as pessoas que atuam na vida pública honrem seu dever de ofício e coloquem o compromisso público acima de qualquer interesse individual.”
O presidente ainda defendeu mudanças no sistema político e no Judiciário e afirmou que todos os envolvidos devem ser investigados, sem distinção.
“A democracia precisa de instituições fortes e respeitadas. Fica claro que o nosso sistema político e judiciário precisam de reformas profundas. É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer. O povo brasileiro tem o direito de saber a verdade”.