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Mendonça retira sigilo de pagamentos do Banco Master; veja o que foi revelado

Decisão desta segunda-feira (14) torna público relatório financeiro ligado a Daniel Vorcaro e ao banco

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  • Ministro André Mendonça retirou sigilo de relatório financeiro sobre Daniel Vorcaro e Banco Master.
  • Relatório do Coaf revela movimentações suspeitas e possíveis crimes financeiros envolvendo investigados.
  • Decisão ocorreu após pedido de Alexandre de Moraes e aprovação da PGR, que considerou o documento relevante.
  • STF analisará mensagens entre Vorcaro e Moraes na sessão plenária marcada para esta terça-feira.
  • PGR questiona validade do relatório, afirmando que foi produzido sem procedimento adequado.
André Mendonça retira sigilo de pagamentos do Banco Master | Foto: Reprodução
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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta segunda-feira (14) o sigilo de dados de pagamentos relacionados ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso em Brasília, e ao Banco Master. A decisão tornou público um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) produzido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) durante as investigações do caso. A medida ocorre um dia antes de o STF analisar as mensagens localizadas pela Polícia Federal (PF) entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.

Documento reúne movimentações financeiras

Durante a apuração do caso Master, a Polícia Federal (PF) solicitou ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) relatórios relacionados a pessoas físicas e jurídicas investigadas.

O RIF é um documento técnico produzido pelo Coaf a partir de alertas enviados por instituições obrigadas por lei a comunicar movimentações consideradas atípicas ou suspeitas. O relatório reúne informações sobre valores movimentados, pessoas e empresas envolvidas e possíveis indícios de crimes financeiros, como lavagem de dinheiro.

A retirada do sigilo determinada por Mendonça amplia o acesso a essas informações no âmbito das investigações.

Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master - Foto: Reprodução

Fachin encaminhou pedido a Mendonça

A decisão ocorreu após um pedido apresentado por Alexandre de Moraes ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, no domingo (13). Moraes solicitou o levantamento do sigilo do inquérito antes da sessão plenária marcada para esta terça-feira (15), quando a Corte deverá discutir a possibilidade de investigar a relação entre o ministro e Daniel Vorcaro.

Fachin encaminhou o pedido para análise da Procuradoria-Geral da República (PGR). Após a manifestação favorável do órgão, o presidente do STF solicitou a Mendonça que retirasse o sigilo do documento.

Com a nova decisão, o STF já tornou públicos 53 procedimentos relacionados às apurações do caso Banco Master.

PGR foi favorável à divulgação

A manifestação da PGR foi assinada pelo vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateabriand Filho. Segundo ele, a Procuradoria não havia se manifestado anteriormente sobre aquele documento porque não tinha conhecimento de sua existência.

O órgão afirmou ainda que tem adotado posição favorável aos pedidos de retirada de sigilo relacionados ao caso.

“Como se trata de documento tido como relevante para que Ministro desse Tribunal possa compreender a totalidade dos fatores que o tema a ser debatido envolve, em coerência com as premissas do parecer anterior, a Procuradoria-Geral da República entende que também deve ser retirado o sigilo.”

STF julga mensagens nesta terça

O levantamento do sigilo ocorre na véspera da sessão plenária do STF, marcada para esta terça-feira (15). A Corte deverá analisar o relatório elaborado pela PF a partir de mensagens encontradas durante as investigações do Banco Master.

Na semana passada, Fachin convocou o plenário para discutir o material produzido pela Polícia Federal, que apontou uma suposta relação entre Moraes e Vorcaro.

A elaboração do relatório foi determinada por Mendonça e se tornou um dos principais pontos da crise envolvendo as investigações do Banco Master dentro do Supremo.

PGR questiona relatório da PF

A própria PGR já pediu que o relatório produzido por determinação de Mendonça seja arquivado, sob o argumento de que a elaboração do documento teria ocorrido de forma irregular.

Segundo a Procuradoria, Mendonça determinou a produção do relatório no curso das investigações do caso Master sem comunicação prévia à Presidência do STF, sem submissão ao plenário e com suposto direcionamento da apuração.

A discussão sobre essa possível irregularidade é relevante porque, caso seja reconhecido um vício na origem do relatório, os ministros podem sequer avançar na análise sobre se as mensagens encontradas pela PF justificariam a abertura de uma investigação contra Moraes.

PF encontrou 52 mensagens

Ao longo das investigações, a Polícia Federal identificou 52 mensagens trocadas entre 21 de dezembro de 2023 e 17 de novembro de 2025, data em que Vorcaro foi preso pela primeira vez.

O relatório da PF afirma ainda que Alexandre de Moraes teria atuado diretamente na análise e na edição de um contrato de R$ 130 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia Barci de Moraes, de propriedade de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

As informações sobre a atuação de Moraes e o conteúdo das mensagens estão entre os pontos que deverão ser discutidos pelo Supremo na sessão desta terça-feira.

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