- Michele Bolsonaro criticou articulações do PL com Ciro Gomes no evento de lançamento da pré-candidatura de Eduardo Girão.
- Michelle defendeu a unidade entre aliados e disse que não é concebível se levantar um nome que não defenda uma bandeira branca.
- O deputado André Fernandes rebateu Michelle, afirmando que não agiu de forma contrária a Bolsonaro e que tudo o que fez tinha o aval do líder.
- A discussão cria mais um racha na direita, oposto ao que Jair Bolsonaro teria planejado anteriormente.
Durante o lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo-CE) ao governo do Ceará pelo PL, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) criticou articulações do PL no estado com o nome do ex-governador Ciro Gomes (PSDB), que cogitava também se lançar ao governo.
As conversas entre os membros do PL com Ciro eram encabeçadas pelo deputado federal André Fernandes (PL-CE), que estava presente no evento.
“Adoro o André, passei em muitos estados falando sobre o orgulho que tenho dele, do Nikolas [Ferreira, deputado federal], do Carmelo [Neto, deputado estadual], da esposa dele que foi eleita [Bella Carmelo, deputada estadual], tenho orgulho de vocês. Mas fazer aliança com um homem que é contra o maior líder da direita? Isso não dá”, disse Michelle em referência a diversas críticas que Ciro Gomes fez a Bolsonaro.
A ex-primeira-dama também defendeu a unidade entre aliados e afirmou que não é concebível que se levante um nome que não defenda uma bandeira branca. Ciro é oposição ao PT, mas se lançava como uma terceira via, sem projetar o nome do ex-presidente Bolsonaro.
“Nós vamos nos levantar e vamos trabalhar para eleger o Girão. O improvável, todo mundo foi improvável. Meu marido era super, megaimprovável, André improvável, Bella improvável, todo mundo improvável. A gente quer pacificar, criar unidade e a gente vê que a pessoa [Ciro Gomes] não levanta a bandeira branca”, completou.
Por sua vez, o deputado André Fernandes rebateu a fala de Michelle, explicando que não agiu de forma contrária a Bolsonaro e que tudo o que fez tinha o aval do líder.
“A esposa do ex-presidente Bolsonaro diz que a gente fez uma movimentação errada, mas o próprio, no dia 29 de maio, pediu para a gente ligar para Ciro Gomes no viva-voz. Ficou acertado que nós apoiaríamos Ciro Gomes. Foi o presidente Bolsonaro. Logo em seguida, o presidente Valdemar Costa Neto também. O filho do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro, que também estava presente, naquele mesmo dia falou que era importante essa união. (…) O acordo era: ‘É muito ruim para o Bolsonaro se aproximar de Ciro Gomes, coloca o André [para articular a aliança], que ele aguenta’. A gente precisa de um grande candidato, de peso, em todos os estados do Nordeste para apoiar Bolsonaro ou seu sucessor e derrotar o PT”, se defendeu André Fernandes.
A discussão, que se opõe ao que o próprio Jair Bolsonaro teria planejado anteriormente, cria mais um racha na direita.