A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou lapsos de memória após sofrer uma queda e bater a cabeça dentro da cela da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. A declaração foi feita na noite desta terça-feira (6), depois de visita ao marido, e incluiu críticas ao ministro Alexandre de Moraes, que negou a remoção do ex-presidente para um hospital.
RELATO APÓS A VISITA
De acordo com Michelle, Bolsonaro estava com hematoma no rosto, sangramento no pé e demonstrava lentidão nas respostas após o episódio. Ela relatou dificuldade para dialogar com o ex-presidente e disse que ele não se recordava do ocorrido.
Tentei conversar, mas ele não lembrava de nada. Ele disse que sabe que caiu, mas não lembra, não sabe quanto tempo ficou caído, não lembra quando acordou.
PREOCUPAÇÃO COM A SAÚDE
A ex-primeira-dama afirmou temer possíveis consequências neurológicas e questionou a ausência de atendimento imediato.
“A gente não sabe por quanto tempo ele ficou desacordado, se ele teve algum trauma, se ele teve algum dano neurológico, essa é nossa preocupação”, disse.
CRÍTICAS A AUTORIDADES
Michelle também direcionou críticas ao ministro Alexandre de Moraes e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, ao comentar o caso.
Eu peço a Deus para que proteja ele e livre ele de todo mal. Mas é uma mancha para a instituição se acontecer alguma coisa com o meu marido. Não é possível que mais uma vez vai ter sangue de inocente na mão do excelentíssimo ministro e do Gonet.
VERSÃO SOBRE A QUEDA
Segundo publicação feita por Michelle nas redes sociais, Bolsonaro teria caído durante a madrugada, enquanto dormia, dentro da cela onde cumpre pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado.
“Durante a madrugada, enquanto dormia, teve uma crise, caiu e bateu a cabeça no móvel. Como o quarto permanece fechado, ele só recebeu atendimento quando foram chamá-lo para minha visita”, escreveu em um Story no Instagram.
AVALIAÇÃO MÉDICA DA PF
A equipe médica da Polícia Federal avaliou o ex-presidente e concluiu que não havia necessidade de remoção hospitalar. Em relatório encaminhado ao magistrado, os profissionais informaram que Bolsonaro estava consciente, orientado e sem sinais de déficit neurológico.
DECISÃO DE MORAES
O ministro Alexandre de Moraes negou o pedido da defesa para transferência ao hospital e citou o parecer da PF.
Não há nenhuma necessidade de remoção imediata do custodiado para o hospital, conforme claramente consta na nota da Polícia Federal.
HISTÓRICO RECENTE
Bolsonaro retornou à sede da PF em 1º de janeiro, após nove dias internado para tratar hérnia inguinal bilateral e complicações associadas a crises de soluço. No período, realizou bloqueios no nervo frênico e passou por endoscopia, que identificou esofagite e gastrite. O pedido de prisão domiciliar foi posteriormente negado por Moraes.