- Ministro da Fazenda nega discussão sobre limites à Selic ou uso de reservas internacionais.
- Encontro entre Lula e André Lara Resende não está agendado, segundo assessoria do governo.
- Proposta de Lara Resende prevê redução gradual da Selic e criação de Conselho Fiscal e Monetário.
- Gleisi Hoffmann defende proposta e critica posição negativa do mercado financeiro.
- Lula começará a discutir formação da equipe econômica a partir desta terça-feira.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteja avaliando propostas para estabelecer um limite à taxa básica de juros (Selic) ou utilizar reservas internacionais para compensar uma eventual saída de capitais do Brasil. As medidas teriam sido discutidas como possibilidades para o quarto mandato do petista.
A manifestação ocorreu após a repercussão de um possível encontro entre Lula e o economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real e defensor de mudanças na condução das políticas fiscal e monetária. A possibilidade da reunião foi divulgada pelo jornal O Globo, mas, segundo Durigan, não existe compromisso agendado entre os dois.
Em nota enviada pela assessoria de imprensa do Ministério da Fazenda, o ministro afirmou que diversos economistas têm se colocado à disposição para conversar com Lula e com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante. No entanto, reforçou que não há encontro previsto com André Lara Resende.
Mercadante, aliado histórico de Lula, também negou que as propostas do economista estejam em discussão no governo ou que exista uma reunião marcada com o presidente.
“Não há nenhuma proposta de tabelar juros em discussão, não teve na campanha e não tem no governo. Vamos aguardar o presidente definir a equipe econômica”, afirmou.
O presidente do BNDES acrescentou que Lula começará a discutir a formação do quarto mandato a partir desta terça-feira (3). Segundo ele, caberá ao presidente definir as responsabilidades pela condução da economia e à nova equipe estabelecer os próximos diálogos e diretrizes.
Durante a campanha presidencial de 2022, Mercadante foi responsável pela elaboração do plano de governo de Lula. Na transição, também coordenou mais de 30 grupos técnicos de trabalho e atuou como conselheiro do petista em assuntos econômicos na campanha deste ano.
Proposta de André Lara Resende prevê redução da Selic
Em um artigo publicado no fim de setembro, André Lara Resende apresentou uma proposta de reorganização das políticas fiscal e monetária com o objetivo de reduzir a taxa básica de juros no Brasil.
Entre as medidas sugeridas está a criação do Conselho Fiscal e Monetário Nacional, que seria responsável por estabelecer metas fiscais e monetárias para um período de quatro a cinco anos.
O economista defende que o Banco Central mantenha a Selic em um intervalo entre a meta de inflação, atualmente em 3%, e a taxa de crescimento nominal potencial da economia, estimada por ele em aproximadamente 5,5% ao ano.
A proposta também prevê uma redução gradual dos juros básicos ao longo de cerca de 12 meses, inicialmente para aproximadamente 7,5% ao ano. O percentual incluiria um adicional de segurança de dois pontos percentuais, que seria reduzido progressivamente até ser eliminado.
No artigo, Lara Resende critica o patamar elevado dos juros brasileiros e afirma que a taxa básica representa um dos principais problemas da economia nacional. Atualmente, a Selic está em 13,75% ao ano, conforme a taxa definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.
Gleisi Hoffmann defende proposta e critica mercado financeiro
A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-ministra das Relações Institucionais, também comentou o artigo de André Lara Resende. Em publicação nas redes sociais, ela classificou o texto como fundamental para enfrentar o que chamou de ofensiva contra a política fiscal brasileira.
Nesta segunda-feira (2), Gleisi voltou a comentar a repercussão negativa no mercado financeiro sobre a possibilidade de Lula conversar com o economista. A parlamentar criticou o posicionamento de representantes do setor e afirmou que “o mercado financeiro tem o DNA do autoritarismo”.
Gleisi também defendeu a iniciativa de Lula de dialogar com economistas que apresentam posições diferentes das defendidas pelo mercado financeiro. Segundo ela, a disposição para ouvir diferentes opiniões não significa que o presidente adotará as propostas apresentadas.