O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência da República, participou nesta quinta-feira (5) da primeira edição do “Debate na Rua”, realizado na Praça Rio Branco, no Centro de Teresina.
A iniciativa propõe um diálogo direto entre representantes do governo federal e a população sobre temas em discussão no país. Nesta primeira edição, o foco do encontro foi a proposta do governo de acabar com a escala de trabalho 6x1, modelo em que o trabalhador atua seis dias seguidos e folga apenas um.
Durante a atividade, o ministro respondeu perguntas do público e ouviu opiniões de moradores da capital piauiense sobre a proposta, que prevê redução da jornada sem diminuição de salários.
“Governo não tem medo do povo”, diz Boulos
Ao chegar ao local, o ministro destacou que o objetivo da iniciativa é aproximar as ações do governo da população. “A nossa agenda aqui é para trazer as políticas e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para perto das pessoas. Esse momento aqui é para falar com as pessoas, chamar e deixar o microfone aberto. Esse é um governo que não tem medo do povo”, afirmou.
Segundo ele, o debate em praça pública também serve para discutir temas importantes para os trabalhadores, como o fim da escala 6x1. “Com o microfone aberto em praça pública, no centro de Teresina, para debater sobre as pautas do país, em especial sobre o fim da escala 6x1. É uma proposta para garantir mais direitos e mais tempo de descanso para os trabalhadores”, disse.
Governo estuda projeto em regime de urgência
Durante a conversa com a população, o ministro também comentou a possibilidade de o governo enviar ao Congresso um projeto de lei em regime de urgência, caso haja tentativa de barrar a votação da proposta.
“Se a tática é ficar enrolando na tramitação, o presidente Lula pode mandar um projeto de lei com regime de urgência. Nesse caso, ele tem que ser votado em até 45 dias na Câmara e mais 45 dias no Senado”, explicou. Boulos também criticou a atuação de setores empresariais e de lideranças políticas contrárias à proposta, citando o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, e o senador Ciro Nogueira.
“Se juntaram grandes empresários e setores do bolsonarismo que não querem garantir direitos para os trabalhadores. Eles escolheram um lado. O lado do nosso governo é garantir direito para o trabalhador”, afirmou.
Valdelice Soares, aposentada, foi uma das teresinenses que fez questão de participar do Debate na Rua. Ela afirmou que trabalhou 35 anos na escala, e que agora pensa na qualidade do tempo que poderia passar ao lado de seus filhos. Ela apresentou um questionamento sobre o desconto do sábado, se teria algo que protegesse os trabalhadores em caso de avanço da proposta.
“Eu perguntei porque aqui pra nós, as empresas, usam o sábado como complemento de carga horária. Então eu queria saber se, dentro desse sistema aí, se o sábado não vai ser descontado nos palácios. Porque eu não trabalho mais, mas trabalhei muito, durante 35 anos. Agora, mais tenho meu filho, aí eu fico em casa, porque não tenho como ter um final de semana tranquilo, porque não tenho ele sim. Aí eu só queria saber isso. Mas a resposta que ele me deu foi bastante acessível, e eu consegui. De que não vai ser descontado, porque estou trabalhando em cima disso pra que não seja descontado. E a gente possa aproveitar o final de semana com a família”.