A jovem Eduarda Brandão, de 25 anos, ainda tenta lidar com os efeitos da violência sofrida no início de abril, em Leandro Ferreira. Ela afirma viver sob constante insegurança e não descarta deixar o município após ter sido atacada com uma garrafa de vidro por um vereador, que segue preso.
“Minha vida acabou. Eu tenho muito medo”, desabafou.
AGRESSÃO EM RESTAURANTE
O caso ocorreu no dia 6 de abril, dentro de um restaurante da cidade. Segundo o boletim de ocorrência, o vereador Eduardo Cézar Lobato Fonseca estava em uma mesa diferente da vítima, que almoçava com amigos.
De acordo com o relato, o parlamentar teria se aproximado, feito ameaças e, após uma discussão, atingido a jovem na cabeça com uma garrafa. A situação teria começado depois que Eduarda recusou sentar-se com ele e rejeitou suas investidas.
Testemunhas afirmam que, mesmo após a agressão, ele continuou intimidando a vítima.
“você vai se ver comigo”.
A jovem precisou de atendimento médico após o ataque.
HISTÓRICO DE PERSEGUIÇÃO
Eduarda afirma que não mantinha qualquer relação com o agressor, apesar de ambos se conhecerem de vista por viverem na mesma cidade. Segundo ela, o comportamento do vereador já vinha sendo insistente antes do episódio.
“Ele já me perseguia há um tempo. Nunca tive nada com ele. Isso já aconteceu outras vezes”, relatou.
Ela também contou que, durante a ocorrência, o vereador teria afirmado que não sofreria consequências.
“Ele ficou o tempo inteiro falando que não ia dar nada para ele”.
ROTINA ABALADA
Desde o ocorrido, a vítima diz que sua rotina mudou completamente. Moradora da zona rural, onde vive com a avó e o filho, ela relata impactos diretos na família.
“Minha avó não está dormindo, meu filho que é especial está tendo crises de epilepsia. Eu tenho medo dele sair e me matar e fazer algo com minha família”, afirmou.
Diante do cenário, ela considera sair da cidade.
“Eu vou ter que ir embora daqui. Está uma situação muito complicada. O medo tem me consumido”.
MEDIDAS E INVESTIGAÇÃO
O vereador foi preso em flagrante com base na Lei Maria da Penha. O caso foi registrado como lesão corporal qualificada, perseguição, ameaça reiterada, importunação sexual e injúria.
A Câmara Municipal de Leandro Ferreira determinou o afastamento temporário do parlamentar, sem remuneração, enquanto durar a prisão. A medida segue o regimento interno da Casa e considera a impossibilidade de exercício do mandato.
O processo também é acompanhado pelo Ministério Público, e a Justiça Eleitoral foi comunicada para eventual convocação de suplente.
VERSÕES CONFLITANTES
Testemunhas ouvidas pela polícia confirmaram a versão da vítima. Já o vereador negou as acusações, alegando que teria sido agredido e que agiu em legítima defesa.
Segundo o boletim de ocorrência, essa versão não foi corroborada pelas evidências coletadas no local.
ACOMPANHAMENTO JURÍDICO
A defesa de Eduarda informou que a vítima segue recebendo apoio jurídico e psicológico, enquanto o caso tramita com prioridade. O objetivo, segundo os advogados, é garantir a segurança da jovem e a responsabilização do agressor.
Já a defesa do vereador informou que não comentará as declarações da vítima.